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Por: Paulo C. Baudouin
Quando descobri o tango
Ouço um tango e uma música de rock, e pressinto que sou eu” (Charly García)
Eu ouvia tango no rádio dos meus avós quando tinha 5 ou 6 anos. Esse rádio de madeira tocava todos os dias, e sempre durante a transmissão em que passavam tangos. Para mim, naquela época, aquilo era apenas um barulho de fundo. Mais tarde, já crescido, soube que meus avós maternos, que não eram argentinos, tinham dançado tango; mas não os meus pais, que eram argentinos, pois eles pertenciam à velha geração do Rock and Roll. Meus pais chegaram a dançar rock e contavam que dançavam com todas as piruetas que essa dança permitia, especialmente ao ritmo de Rock Around the Clock (1956), de Bill Haley and His Comets. Meu padre me disse que o filme havia causado uma enorme sensação. Por meio dos meus padres, fui apresentado a Elvis, aos Beatles, ao Creedence Clearwater Revival, ao Pink Floyd, a Jimi Hendrix, a Almendra, a Manal, entre outros, do rock argentino.
O que acontecia nos bastidores era que a nossa música — tanto o tango quanto a música folclórica — estava cedendo espaço para aqueles ritmos estadunidenses ou ingleses, cantados em inglês, como é óbvio. Não conheço tão bem o destino da música folclórica, que teve muitos de seus grandes representantes exilados devido à perseguição ideológica; o mesmo não se pode dizer do tango, ou pelo menos não na mesma medida, já que, na época da perseguição mais violenta, o tango já estava em declínio. Estou falando das décadas de 1960 e 70. Quanto ao tango, a década de 1960 já mostrava uma música que estava perdendo popularidade rapidamente. Até mesmo o próprio Troilo — que dizia: “Não sou músico, sou cantor de tango” — tocava em lugares onde quase ninguém ia; ele, o mestre do bandoneon.
Por outro lado, o grande bailarino Carlos Copes e sua parceira María Nieves (hoje com 90 anos), não encontrando espaços para desenvolver seu tango-dança — aquele tango improvisado, que se desenrolava no chão, sem nunca romper o abraço — tiveram que considerar uma alternativa. Decidiram levar sua dança para o palco, inventando assim o hoje famoso “Tango de Palco”: mais espetáculo, mais para o público do que para a dança em si, já que apenas bailarinos altamente habilidosos e fisicamente preparados conseguem atingir a excelência nessa modalidade. E sim, Copes e Nieves tiveram que tomar liberdades, como abrir o abraço para executar passos mais complexos e coreografias inovadoras, incorpo - rando alguns truques de palco emprestados de outras disciplinas, mantendo, ao mesmo tempo, a essência apaixonada do tango. Essa inovação abriu uma nova forma de apresentar o tango-dança, pos - teriormente adotada por grandes nomes como Virulazo e Carlos Gavito, “o bailarino do silêncio”, e gerações mais jovens como os irmãos Zotto — com Miguel Ángel se destacando acima de Osvaldo —, ou os virtuosos Roberto Herrera e Vanina Bilous. Claro que, antes de todos eles, devemos mencionar “El Cachafaz” e Carmencita Calderón, que levaram a dança do tango para o cinema no auge de sua popularidade, com as melhores orquestras ao vivo e muitas milongas, como se diz, “cheias de gente”, com todos se movendo sempre em sentido anti-horário. O tango passou a promover uma cultura do tango com sua visão de mundo às vezes beirando o dramático, embora com algumas letras humorísticas como o tango “Chorra”, escrito pelo grande Discépolo e popularizado por Gardel.
Como dissemos, o tango havia entrado em um período de dormência em termos de casas de dança e das grandes orquestras, onde as pessoas se encontravam através de abraços e algumas nunca mais se separavam; por quase duas décadas. No meu caso, filho dos filhos do Rock ‘n’ Roll, cresci com alguns dos LPs do meu pai, mas principalmente canções de tango—aquele formato que Gardel inventou com “El día que me quieras”—como cantam Goyeneche ou Eladia Blázquez; aqui Adriana “la Gata” Varela.
Houve também músicos que captaram a essência do tango e a transformaram em música não destinada à dança popular, mas sim para ser ouvida ou coreografada, como o fizeram Piazzolla, Atilio Stampone, Rodolfo Mederos ou o grupo de rock Alas, que incluía bandoneons. Eu mesmo cheguei a criar e dançar, ao lado de Miriam Albarrán, coreografias com música de Piazzolla, incorporando elementos do “novo tango”, com a marca de Mariano “Chicho” Frúmboli: um tango com um abraço aberto, que permitia movimentos novos, complexos e difíceis que distanciavam ainda mais os setores populares dessa dança. Isso foi uma moda passageira, e hoje o próprio Frúmboli, se autocrítica e retornou a um tango com raízes mais populares, com o abraço peito a peito, o chamado “verdadeiro tango”. Mas com Miriam nos afastamos do novo tango de Frúmboli, bem como do estereótipo do tango de palco, e incorporamos a dança contemporânea e a teatralidade como um ingrediente intensamente emocional, com olhares apai - xonados e explorando o erotismo e a sensualidade, elementos que não são estranhos à essência do tango.
Mas, como foi que o tango ressurgiu como uma dança popular, dançada nas milongas, aquele tango clássico, no chão, abraçado e improvisado? Paradoxalmente, isso aconteceu não na Argentina, mas na França, com o espetáculo Tango Argentino, que estreou em Paris em 1983. Seu sucesso foi tão grande que chegou à Broadway em 1985. Dizem que o grande Virulazo, então um homem grande e asmático, carregava um aquecedor a querosene para se aquecer. Essa anedota encantadora nos lembra que o tango nasceu entre a classe trabalhadora, entre as pessoas que o dançavam. Virulazo era uma dessas pessoas do povo. É verdade que, mesmo em seu auge, havia orquestras que levavam o tango às salas de estar das famílias mais privilegiadas econômica e culturalmente, e ele se tornou cada vez mais sofisticado. Orquestras como a de Di Sarli ou a de Pugliese no final da década de 1940, assim como Troilo e outras, elevaram o tango com arranjos mais sofisticados e complexos sem abandonar a fórmula de compasso 2/4, o ritmo para dançar na pista de dança.
O tango de palco continuou como um espetáculo, mas despertou em todos o desejo de dançar tango.
As milongas retornaram e o tango deixou de ser ensinado entre familiares; em vez disso, surgiram professores. As exigências físicas do tango de palco nas décadas de 80, 90 e posteriores eram incompatíveis com a ideia de que todos pudessem dançar tango. Uma dança popular deveria poder ser dançada por qualquer pessoa, independentemente do seu tipo físico. É claro que certas posturas para essa dança melhoram o alinhamento corporal e fortalecem o corpo como um todo.
As mulheres também apreciavam o tango porque ele lhes permitia — além de experimentar a emoção de um abraço — ter as pernas esculpidas pelos anos e exibi-las até que o desejo de dançar desaparecesse, algo que quase nunca acontece enquanto esse desejo existir.
Hoje, com o Google, qualquer pessoa pode pesquisar. Mas a verdade é que, a partir dos anos 80, começamos a ver o tango ressurgir em todo o mundo, inclusive em Buenos Aires. Ele não está mais tão ligado à classe trabalhadora — aqui hoje mais inclinada ao reggaeton, cumbia ou cuarteto — mas sim àqueles com maiores recursos econômicos, que gostam de se vestir com roupas e sapatos caros, inacessíveis aos menos afortunados. Digamos: um tango mais elitista, da classe média alta aos mais ricos, que, no entanto, promovem tanto o turismo europeu a Buenos Aires para dançar — porque ainda há um nível de dança mais alto aqui do que no exterior — quanto o turismo de argentinos e sul-americanos que viajam para a Europa, Japão ou Estados Unidos. Há também o enorme fluxo de turismo interno europeu para países onde o tango é mais popular: França, Itália, Espanha, Alemanha... Todos vêm para se deleitar com essa música intensa e apaixonada que, em um abraço, se torna algo inefável e misterioso.
Sim, claro: também aprendi a dançar tango no início dos anos 90. Meu treinamento anterior em dança e música complementou minha vida como poeta. Hoje, o tango continua vivo no mundo, difundido por músicos e dançarinos, mas também por organizadores como Gabriel Sodini, um DJ internacional de grande sucesso e criador de festivais em Catânia, Dubai, Costa Brava, Bordéus e outros lugares. Além disso, sua participação em um belo filme, *La vida es una Milonga* (A Vida é uma Milonga), que está se tornando cada vez mais conhecido, documenta como as milongas de bairro ainda são organizadas por aqui. O tango foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em setembro de 2009. Agora ele pertence a todos, como pertencia aos meus avós, que hoje dançam a milonga pelo cosmos com seu rádio de madeira... assim como muitos de vocês fazem aqui na Terra, “levantando lascas do chão”.
Deixo vocês com um poema que compus para o meu livro de poesias, Olhos do Deserto.
Paulo Baudouin
Foi descoberto nas redes sociais, onde costumava compartilhar seus pensamentos e alguns poemas. Foi nas redes sociais que ele cativou seus primeiros leitores e, a partir daí, surpreendeu o editor da Biblos, uma editora digital sediada em São Paulo, Brasil. Paulo Baudouin é o arquiteto de um feito raro: escreve tanto em espanhol quanto em português. E, ao fazê-lo, demonstra a inexistência de fronteiras na arte. Seus escritos possuem a intensidade e a delicadeza com que ele ama a vida, as mulheres, a filosofia, a política e a família. A natureza contagiante de sua poesia evoca um sentimento de plenitude no leitor. Ele é uma joia rara no cenário literário latinoamericano, povoado por escritores frequentemente sombrios e introspectivos, embora jovens. Baudouin não se esquiva do claro-escuro da vida contemporânea e fala do amor com toda a sua alegria e tristeza. Mas ele conduz o leitor por caminhos profundos de emoção e significado. O que ele escreve comove, faz pensar — e por que não? — dá vontade de dançar. (Luciano Martins Costa- editor)
Tanguera
Os recantos costumam ser evidências de milagres e
Ali, com as sombras abraçadas a ti, resplandecias
pelos subterrâneos Ímãs da noite.
Eu te avisei, a milonga acaba sempre espreitando e
0o abraço se deseja.
Primeiro te peço, logo te vejo e finalmente
te abraço.
Antes da tua voz,
Senti-me aceite pelos teus olhos que fechavas
Ao tempo
Que o meu abraço ia te rodeando.
(Penso que se fosse melhor dançar com os olhos
abertos jamais os fecharias).
Os primeiros dois passos são suficientes
Para se saber o que virá logo depois:
A amizade, a traição, a loucura, ou sua legalidade:
a cordura.
Mas para chegar a tal grau de percepção,
O tanguero sabe que primeiro
há que saber sofrer, depois...
E compartilhamos o abraço com as sombras
E seus plenilúnios, com o compasso e suas
armadilhas; melodias e abismos,
Profundos como os espaços que deixam tuas pernas
Confundidas com as minhas, que me permitem,
sem medos,
Rastejar outras paragens.
¿Qual será o teu nome?
Soube antes do teu cheiro que de ti,
Também, de como teus seios me captavam, quais
duas antenas,
Para que eu pudesse te conduzir a outras margens,
As que pedias silenciosamente a gritos,
que eu soube escutar.
Atravessamos pontes estelares, como gigantescos
vimes entrelaçados, Passando longe da avaria,
mas a segundos do esquecimento, cheios
Como uma colméia ordenada desde o mel e o acaso;
Sorteando encruzilhadas,
Quase sempre suaves como a brisa do teu rosto,
Bem perto do meu.
Paulo C. Baudouin
Cuando descubrí el tango
“Escucho un tango y un rock y presiento que soy yo” (Charly García)
Conocí el tango en la radio de mis abuelos, cuando yo tenía unos 5 o 6 años. Esa radio de madera sonaba todo el día y siempre en la audición donde pasaban tangos. Para mí, en aquel entonces, era apenas un sonido de fondo. Más grande supe que mis abuelos maternos, que no eran argentinos, habían bailado tango; no así mis viejos, sí argentinos, porque ya pertenecían a la generación hija del Rock n’ Roll. Mis padres llegaron a bailarlo y contaban que lo hacían con todas las piruetas que ese baile permitía, especialmente al ritmo de Rock Around the Clock (1956), de Bill Haley and His Comets. Me contaba mi padre que había sido un furor tremendo la película. De mis padres conocí desde Elvis, Beatles, Creedence, Pink Floyd, Jimy Hendrix, Almendra, Manal, entre otros, del rock argentino.
Lo que pasaba, de manera subterránea, era que nuestra música —tanto el tango como el folclore— iba cediendo lugar a esos ritmos estadounidenses cantados en inglés, como es obvio. No conozco tanto los destinos del folclore, que sí tuvo muchos de sus grandes representantes exiliados por persecución ideológica; no así el tango, o al menos no en la misma medida, ya que en los tiempos de mayor persecución violenta el tango ya estaba en decadencia.
Hablo de los años 60 y 70 del siglo pasado. En lo que respecta al tango, los años 60 ya mostraban una música que declinaba vertiginosamente a nivel popular. El mismísimo Troilo —quien decía: “yo no soy músico, yo soy tanguero”— tocaba para espacios donde casi no iba nadie; él, El bandoneón mayor.
Por otra parte, el gran bailarín Carlos Copes y su compañera María Nieves (hoy con 90 años), al no encontrar lugares donde desarrollar su danza-tango —ese tango al piso, improvisado, sin soltar jamás el abrazo— tuvieron que pensar alguna alternativa. Se les ocurrió llevar su danza a los escenarios y así inventaron el hoy famoso “Tango Escenario”: más show, más para ver que para bailar, ya que sólo bailarines con mucha destreza y preparación física lo pueden lograr en su excelencia. Y sí, Copes y Nieves tuvieron que darse licencias como la de abrir el abrazo para realizar pasos más complejos y coreografías novedosas, con algunos trucos escénicos sacados de otras disciplinas, man - teniendo la esencia tanguera y apasionada. Esa innovación abrió un nuevo modo de presentar la danza-tango que más tarde retomaron grandes como Virulazo o Carlos Gavito, “el baila - rín del silencio”; y camadas más jóvenes como los hermanos Zotto —destacándose Miguel Ángel por sobre Osvaldo—, o los virtuosos Roberto Herrera y Vanina Bilous.
Claro que, antes que todos ellos, hay que mencionar a “El Cachafaz” y Carmencita Calderón, quienes llevaron la danzatango al cine en pleno apogeo del tango, con las mejores orquestas en vivo y las milongas llenas, como se dice: “sacándole viruta al piso”, con todos moviéndose siempre en el sentido contrario a las agujas del reloj. El tango llegó a promover una cultura tanguera con su cosmovisión a veces rayana en lo dramático, aunque con algunas letras humorísticas como el tango Chorra, escrito por el gran Discépolo y difundido por Gardel.
Como dijimos, el tango había entrado en un letargo en cuanto a los espacios de baile y sus grandes orquestas, donde la gente se conocía en el abrazo y algunos nunca se soltaron; durante unas dos décadas. En mi caso, hijo de los hijos del Rock n’ Roll, crecí con algunos LP de mi viejo, pero de tango más del tipo canción —ese formato que inventó Gardel con El día que me quieras— como los que cantaban Goyeneche o Eladia Blázquez; hoy Adriana “la Gata” Varela.
También hubo músicos que tomaron la esencia tanguera para transformarla en música no pensada para el baile popu - lar sino para ser escuchada o coreografiada, como Piazzolla, Atilio Stampone, Rodolfo Mederos o el grupo de rock Alas, que incluyó bandoneones. Yo mismo llegué a crear y bailar, junto a Miriam Albarrán, coreografías con música de Piazzolla, incorporando elementos del “tango nuevo”, con la impronta de Mariano “Chicho” Frúmboli: un tango con abrazo abierto, que permitía nuevos movimientos, complejos, difíciles que alejaron más a los sectores populares de esa danza (esto fue moda, y hoy el mismo Frúmboli, se autocriticó y volvió a un tango más de raíces populares, con el abrazo pecho a pecho, el dicho “verdadero tango”), pero con Miriam salimos del tango nuevo de Frúmboli así como del estereotipo del tango escenario y le incorporamos danza contemporánea así como teatralidad en cuanto ingrediente intenso, emocional, con apasionadas miradas y explorando erotismo y sensualidad, elementos que no son ajenos en cuanto esencia tanguera.
¿Pero cómo resurgió el tango como danza popular, bailada en milongas, ese tango clásico, al piso, abrazado e improvisado? Eso ocurrió, paradójicamente, no en Argentina sino en Francia, con el espectáculo Tango Argentino, estrenado en París en 1983. Su éxito fue tan grande que en 1985 llegó a Broadway. Cuentan que el gran Virulazo, ya un hombre corpulento y asmático, se llevaba un calentador a kerosén para poder entrar en calor. Esa anécdota simpática, nos recordaba que el tango había nacido en los sectores populares, en el pueblo que lo bailaba. Virulazo era pueblo.
Es cierto, todavía en su auge, hubo orquestas que llevaron el tango a los salones de las familias más favorecidas en lo econó - mico y en lo cultural y se fue sofisticando; las orquestas como la de Di Sarli o el Pugliese de fines de los 40, así como Troilo y otras elevaron el tango en cuanto a arreglos más sofisticados y complejos sin abandonar el 2x4, el compás para bailarlo en las pistas.
El tango escenario siguió como show, pero suscitó el deseo de todos querer bailar tango. Volvieron las milongas y ya no se enseñaba a bailar tango entre familiares sino que aparecieron los profesores y profesoras. Es que la exigencia física del tango escenario de los 80 y 90 en adelante no era compatible con la idea de que todos pudieran bailar tango. Una danza popular la tiene que poder bailar cualquiera con el cuerpo que tenga. Claro que cierta postura para bailar esa danza mejora la alineación corporal y fortalece el cuerpo en general. Las mujeres también apreciaron el tango porque les permite -además de emocionarse en un abrazo-, que los años les modelen las piernas y poder lucirlas hasta que las ganas de bailar no se apaguen, algo que mientras haya deseo casi nunca ocurre.
Hoy, con Google, cualquiera puede ir investigando. Pero lo cierto es que, a partir de los 80, empezamos a ver cómo el tango se encendía de nuevo en todo el mundo, inclusive en Buenos Aires. Ya no está tan ligado a los sectores más populares — acá hoy asociados al reguetón, la cumbia o el cuarteto— sino a otros con mayor capacidad económica, que gustan vestirse con ropas caras y zapatos poco accesibles para los sectores menos favorecidos. Digamos: un tango más de élite, de capas medias acomodadas, hasta las más abastadas que, sin embargo promueven tanto el turismo de europeos que vienen a Buenos Aires a bailar —porque todavía acá hay mejor nivel de baile que en el exterior— como de argentinos y sudamericanos que viajan a Europa, Japón o EEUU. También está el enorme turismo interno europeo hacia países donde más se baila tango: Francia, Italia, España, Alemania... Todos y todas para deleitarse con esta música tan intensa y apasionada que, en un abrazo, se vuelve algo inefable y misterioso.
Sí, claro: yo también aprendí a bailar tango a comienzos de los 90. Mi formación previa en danza y música completó mi vida de poeta. Hoy el tango vive en el mundo, difundido por músicos y bailarines pero también por organizadores como Gabriel Sodini, enorme DJ internacional y creador de festivales como Catania, Dubai, Costa Brava, Bordeaux y otros. Por otro lado, su participación en una hermosa película, La vida es una Milonga, que se va haciendo cada día más conocida, llevando el registro de cómo acá todavía se arman las milongas de barrio.
El tango fue declarado Patrimonio Cultural Inmaterial de la Humanidad por la UNESCO en septiembre de 2009. Ya es de todos y todas, como lo fue para mis abuelos, que hoy milonguean por el cosmos con su radio de madera... como lo hacen hoy muchos de ustedes acá en la tierra, “sacándole viruta al piso”.
Les dejo un poema que compuse para mi libro de poemas Ojos de desierto.
Paulo Baudouin
Fue descubierto en las redes sociales, donde solía divulgar sus pensamientos y alguna poesía. Fue en las redes que cautivó a sus primeros lectores y desde allí llegó a sorprender al editor de Biblos, editora digital sediada en Sao Paulo, Brasil. Paulo Baudouin es artífice de rara hazaña: escribe en español y portugués. Y al hacerlo, comprueba la inexistencia de fronteras en el arte. Sus escritos tienen la intensidad y delicadeza con que ama la vida, las mujeres, la filosofía, la política y la família. El contagio de su poesía provoca en quién lo lee una sensación de plenitud. Es una joya rara en el escenario latinoamericano, hecho de unos escritores lóbregos y sombrios, aunque jóvenes. Baudouin no huye de lo clarooscuro de la vida contemporánea, y habla de amor con lo que hay de alegre y triste en el tema. Pero lleva al lector por senderos profundos de emoción y significado. Lo que él escribe commueve, hace pensar - y por que no? - bailar. (Luciano Martins Costa- editor)
Tanguera
Los rincones suelen ser pruebas de milagros y
Allí, con las sombras abrazadas a ti, resplandecías
por los subterráneos Ímanes de la noche.
Te lo advertí, la milonga siempre acaba acechando y
el abrazo se desea.
Primero te pido, luego te veo y finalmente
te abrazo.
Antes de tu voz,
me sentí aceptado por tus ojos que cerrabas
al tiempo
que mi abrazo te rodeaba.
(Creo que si fuera mejor bailar con los ojos
abiertos, nunca los cerrarías).
Los dos primeros pasos son suficientes
Para saber lo que vendrá después:
La amistad, la traición, la locura o su legalidad:
la cordura.
Pero para llegar a tal grado de percepción,
El tanguero sabe que primero
hay que saber sufrir, después...
Y compartimos el abrazo con las sombras
Y sus plenilunios, con el compás y sus
trampas; melodías y abismos,
Profundos como los espacios que dejan tus piernas
Confundidas con las mías, que me permiten,
sin miedos,
Arrastrarme a otros lugares.
¿Cuál será tu nombre?
Supe antes de tu olor que de ti,
También, de cómo tus pechos me captaban, como
dos antenas,
Para que yo pudiera conducirte a otras orillas,
Las que pedías en silencio a gritos,
que yo supe escuchar.
Atravesamos puentes estelares, como gigantescos
mimbres entrelazados, pasando lejos de la avería,
pero a segundos del olvido, llenos
Como un colmenar
ordenado desde la miel y el azar;
Sorteando encrucijadas,
Casi siempre suaves como la brisa de tu rostro,
Cerca del mío
Paulo C. Baudouin
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