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Por: Javier Villanueva
Os diversos povos que habitam as favelas do Brasil
Entre os muitos povos favelados no Brasil há descendentes dos antigos quilombolas, mulheres e homens escravizados fugidos ao interior e escondidos por décadas nas matas; há também descendentes de centenas dos povos originários morando nas favelas ou, ainda em piores condições, nas ruas das grandes cidades, na condição de moradores de rua, sem-teto.
Vejamos agora a história de um desses povos, outrora gloriosos lutadores na resistência contra os abusos do branco.
Os Kadieuwi no Mato Grosso, Brasil
Nos anos de 1950, havia na Argentina uma visão revisionista histórica de raiz americanista sobre a Guerra do Paraguai. Autores como José María Rosa, Milcíades Peña, e Scalabrini Ortiz, pouco conhecidos no Brasil, até negaram mais tarde a responsabilidade inglesa no conflito da Tríplice Aliança, culpando só ao Império brasileiro e à Argentina de Mitre, como fizera Milcíades Peña num texto clássico. Ele disse que “Nem a monarquia coroada brasileira, nem a oligarquia de Bartolomé Mitre fizeram a Guerra do Paraguay por encomenda da Inglaterra”.
No Brasil também essa historiografia foi desconhecida. Hoje há um terceiro tipo de releitura do conflito que, - voltando aos mitos dos adeptos de Mitre e Caxias sobre um Solano López que teria provocado a guerra só pela sua ambição expansionista- invertem toda a perspectiva revisionista e retomam o vitimismo do Império e de Buenos Aires supostamente agredidos pelo Paraguai.
Há ainda uma outra visão que, negando as antes mencionadas, afirma desde os anos 1960, desde um ponto de vista mais afim à luta ideológica da época entre capital e socialismo, que o motivo do conflito seriam os interesses britânicos que queriam impedir a ascensão de um Paraguai poderoso, econômica e militarmente.
Depois de 1980, novos estudiosos como o argentino Pomer sugerem que as causas poderiam ser uma combinação das hipóteses anteriores, o que pinta melhor os processos contraditórios de construção de cada um dos estados nacionais na região. Nenhuma dessas visões fala, porém, do papel dos povos nativos no processo.
Conheci o historiador argentino León Pomer em 1994, num curso em Assis, e ficamos mais de três horas falando sobre a Guerra da Tríplice Aliança e os Kadeweu, os Índios Cavaleiros. Pomer vinha de visitar o historiador guarani Ilfo Rivero, e falar com Próspero R. Garay, herói da outra guerra trágica, a do Chaco entre Paraguai e Bolívia. Meu encontro com Pomer parecia continuar o que tive com o também argentino amante do Brasil, o artista Caribé, quando inauguramos o Fondo de Cultura Económica do México em São Paulo, em 1991, e tive a honra de trazê-lo ao Memorial da América Latina. Lembrei também de Eric Hobs - bawm, que dizia que alguns argentinos eram eternos êmulos de San Martín, cruzando cordilheiras e serras, atrás da integração e a irmandade dos povos da nossa sofrida Ameríndia.
Eu nem imaginava que, 24 anos depois, numa viagem a Bonito, no MS, iria reencontrar o espírito, se não a presença viva, do Próspero R. Garay, homem de 103 anos que foi tema de longos papos na Casa da Memória Raída, de Bonito, um lugar de com - bate ao esquecimento e de resistência ao descuido histórico na pequena cidade turística, bem na rota do avanço dos paraguaios por território brasileiro ao início da Guerra. Um paraguaio, que eu já tinha visto em Bodoquena, estava na Casa, e falamos sobre os Kadiweu e as línguas Guaikurus. Era sobrinho neto de Próspero R. Garay. Parecia tudo coincidência, mas no dia seguinte, à porta do hotel, uma família sem-teto pedia comida e algum dinheiro.
Eram Kadiweus, da outrora orgulhosa nação dos Índios Cava - leiros, hoje não mais de mil habitantes no Pantanal Sul, entre a Bodoquena e os Rios Nabileque e Aquidavão, ao norte do município de Porto Murtino, MS, que numa época teve 1.629 assentados num território de meio milhão de hectáres, criado em 1903.
Nativo da velha nação, Santos, o pai do grupo de pedintes, é um dos últimos sobreviventes dos Guaikuru do Grande Chaco. Guaycurú em espanhol, ou Guaikuru em português, era nome ofensivo que os Guaranis davam aos Mbayá do Paraguai. O Guaikuru é um povo que, desde cedo, se tornou especialista em cavalos. Não se sabe bem quando o Guaikuru passou a domar o cavalo, que os espanhóis levaram ao Chaco no século XVI em grandes rebanhos que cobriram os pastos.
Já no fim do século, os nativos capturaram e adotaram o cavalo, o que lhes deu uma mobilidade que provocou grandes mudanças na sociedade, na caça, na guerra contra outros povos e contra os espanhóis, e ampliou seu território. Sua sociedade criou classes de nobres, guerreiros, servos vassalos -os Guará- e escravos cativos de outras tribos. Os Jesuítas tentaram formar uma missão com os antepassados de Santos em 1609, e outra em 1613, mas deixaram tudo em 1626 pela falta de resultados, e sobretudo pela simples ausência dos nativos, sempre em viagens nômades de caça, pesca e colheita. Os padres tentaram o cultivo, mas para os Guaikurus essa era atividade de cativos.
Quando atacaram as missões jesuíticas do Itatim e o lugar virou a Terra Mbaiânica, entre os rios Taquari e Jejuí, os Guaikurus já eram expertos cavaleiros.
Vencedores, deram novos nomes à geografia: os rios que os castelhanos chamavam Corrientes e Piray logo foram o Apa e o Aquidaban; o distrito de Pitun, Piray e Itati, foi o Aguaguigo. Isso, que embaralhou tanto a geografia e a demarcação de limi - tes, é uma prova do domínio territorial Guaikuru.Falei também com a esposa de Santos, que dizia em suas poucas palavras em português, que na visão original do seu povo não havia o termo “território”. Isso só veio após o contato com o branco. Antes, o nativo ia e vinha, e ele próprio definia sua vida e destino sem tutela nem limitações. Depois do contato com o branco há dominação, exploração e violência, dizia Ana Santos, e repetia que hoje o indígena precisa afirmar-se; antes não, a natureza garantia isso. A terra garante; por isso a terra é tudo.
Os Guaikurus-Kadiweu, numa longa faixa a ambos os lados do Paraná, fronteira com o Paraguai, viviam em grupos familiares. Seu território, rico de erva-mate, explorada na pós-guerra, era a principal fonte econômica. Quase todo o território original Guaikcuru foi arrendado à Companhia Matte Larangeira. O avô de Santos, que trabalhou na Companhia, dizia que ao fim da guerra e nos anos de 1930, com a decadência da empresa, as frentes agrárias e pastoris começam a ocupar o território. Depois veio a fazenda de gado e, em 1970, a monocultura da soja e a derrubada sistemática da mata nativa, que era o habitat dos Guaikurus. A família de Santos e outras que viviam nas fazendas, foram forçadas a ir para as reservas demarcadas pelo governo, criando superpovoamento dessas áreas. A investida final do agronegócio -me conta Santos-, foram as usinas de álcool e açúcar, com extensas plantações de cana que usam mão-de-obra indígena para o corte. Nesses anos de perdas territoriais, o povo Guaikuru- Kadiweu e outros do Mato Grosso do Sul, na década de 1970, passam a exigir a devolução do território perdido.
Santos diz, orgulhoso, que os Guaikurus tem sua história guerreira, contada hoje por seus descendentes, os Kadiwéus de Mato Grosso do Sul. O Criador Gô-noêno-Hôdi tirou todos os povos de um poço e deu a cada um funções diversas. Uns pegaram na enxada e foram agricultores, outros artesãos. Só que o Criador esqueceu dos Kadiwéus, que saíram por último do buraco. Por isso, conta Santos, o Criador deixou que roubassem um pouco de cada povo. Na Casa da Memória Raída, de Bonito, ouvi que os ancestrais dos Kadiwéus podem ter vindo da Patagônia argentina, parentes talvez de Tehuelches e Mapuches, e até dos supostamente extintos povos Charruas uruguaios.
Outros acham que a origem é andina. O real é que a região ocupada por eles no centro da América do Sul, tinha influências amazônicas, dos Pampas e das grandes civilizações andinas dos Incas. Os vizinhos viraram lavradores sedentários, mas eles seguiram a vida errante, divididos em tribos sem unidade política, mas com uma língua e costumes bastante semelhantes. O domínio da área era dos Guaikurus. Os relatos contam que mataram o português Aleixo Garcia em 1526, quando deixou Santa Catarina com uma tropa guarani, saqueou postos avançados dos Incas e na volta foi vencido pelos Guaikurus. Tratavam as outras tribos com o mesmo rigor que os nobres europeus aos seus camponeses, pilhando seus bens e obrigando-as a tratar a terra para eles. Cobravam tributo, a troca de proteção, como os Astecas e Incas aos seus vizinhos. O poder dos Guaikuru formava os jovens em rituais de iniciação guerreira desde criança, usando os cavalos dos europeus, o que fez que os Mbayá-Guaikuru ampliassem seu raio de ação. A pintura de corpo dos Kadiwéus, diziam os avós de Santos, impactou o antropólogo Lévi-Strauss por sua complexidade e simetria. Darcy Ribeiro (ver o número 1 de ACeSociedade-Brasil), que visitou os Kadiwéu em 1940, viu que eles tinham interesse nulo pelos mais humildes. Ao contrário, ‘o seu património lendário” diz Darcy, era “a mentalidade de um povo cuja característica mais elaborada é o etnocentrismo, a ideia de predestinação do Kadiwéu para governar o mundo”. “Adotando o cavalo, que para os outros índios era uma caça que crescia nos campos, se formaram como chefes pastoris, enfrentando com vigor o invasor, infringindo-lhe derrotas e perdas que ameaçaram a expansão europeia. Um dos cronistas da expansão civilizatória sobre seus territórios nos diz, claramente, que “pouco faltou para que exterminassem os espanhóis do Paraguai”. Francisco Rodrigues do Prado, membro da Comissão de Limites da América hispânica e da portuguesa, avaliou em 4 mil o número de paulistas mortos por eles ao longo das vias de comunicação com Cuiabá”
conta Darci Ribeiro em “O Povo Brasileiro”. A colonização ibérica se consolidou na região no Fuerte Burbom e Concepción no lado castelhano, e do outro, em Coimbra, Albuquerque e Miranda também se criaram condições para uma guerra tripartite entre espanhóis, portugueses e Guaykurus. Os ibéricos lutavam entre eles para expandir suas fronteiras, e os Guaykurus contra ambos para proteger seu território. A vitória só seria de quem pudesse aliar-se aos nativos. Os Guaikurú foram muito astutos contra ambos os dois inimigos. Conta meu novo amigo Santos na praci - nha de Bonito, que se aproximaram mais com os portugueses, o que finalmente culmina no tratado de paz e amizade firmado em 1791. Até 1826, já não há mais violência entre os luso-brasileiros e os temíveis cavaleiros.
Com os castelhanos de Assunção os índios tinham um jogo duplo: fingiam aproximar-se, mas seguiam atacando a fronteira. Isso cresce depois da independência do Paraguai. O governo paraguaio desmata a floresta perto de Concepción, onde os nativos anualmente colhiam cocos, e eles então aumentam os ataques contra o Paraguai. Ao mesmo tempo, crescia a relação com os brasileiros, que forneciam armas e munições, e compravam os seus botins de guerra. Em 1850, Brasil e Paraguai negociavam a navegação dos rios da região, vital para o Mato Grosso, mas uma tropa de nativos e brasileiros toma o Fuerte Olimpo, e o governo mato-grossense é forçado a castigar seus aliados Guaikurús.
Quando a ocupação do Mato Grosso pelas tropas paraguaias deu início à Guerra da Tríplice Aliança, a defesa do país exigiu o apoio dos indígenas do Pantanal, me conta Santos que relatava seu avô. Grande parte dos povos do Chaco foram para a luta contra o Paraguai a favor do Império do Brasil. Alguns, “voluntários da pátria”, mesmo com recrutamento forçado, lutaram às ordens do Império por uma nação que nem sabiam o que era, porque tinham sua guerra particular dentro da grande guerra. Os nativos desse tempo, depois de acabada a guerra, ainda mostravam prêmios de recompensa pelos seus atos de bravura, e passeavam com trajes da guerra que simbolizavam o orgulho da sua participação. No Pantanal, contam Ana e Santos, os Gaiukurus atacavam os paraguaios por meio de guerrilhas. Em 1865, os Terena derrotaram os paraguaios, matando três indígenas e onze soldados de Solano Lopez e roubando munições. Mais tarde, sob fogo pesado, cercaram o inimigo até fazê-lo deixar os campos, levando muitos animais. Depois disso, já sem munição, correram às forças imperiais a pedir reposição. Segundo o avô contou ao amigo Santos, um oficial brasileiro disse que o pedido seria atendido “porque eles têm feito muito”. Na memória do seu povo, diz a mulher de Santos, a Guerra do Paraguai dividiu as águas. O fato - contava seu avô Victoriano – foi testemunhado pela estudiosa Mônica Pechincha, que conheceu os Kadiwéu em 1992, e depois de ouvir dezenas de histórias concluiu que a guerra do Paraguai “é o evento que define a relação dos Kadiwéu com a nação brasileira. E é uma parte fundamental na reivindicação dos seus direitos territoriais”.
A fim do século XVIII, os Guaikurus, mesmo próximos dos luso-brasileiros, e estabelecidos perto de Forte Coimbra e da vila de Albuquerque, não se deixavam seduzir tão fácil pelas propostas insistentes do estado brasileiro de concentrar-se em “reservas”. Quem vai descrever os Guaikurus dizia Vitoriano Santos fala logo dos traços mais visíveis: fortes, corajosos até quase serem temerários; mas selvagens e violentos; traiçoeiros, embora bonitos, orgulhosos e vivos. A figura do Guaicuru impactava: “Seu tamanho, beleza e elegância de suas formas e sua força são muito superiores aos espanhóis, e eles consideram a raça europeia muito inferior à sua” resume nos seus relatos o explorador Félix de Azara. Quando em 1864 o exército paraguaio invadiu Mato Grosso e quis levar os GuaiKuru para seu território, a nação nativa recusou e a maioria morreu de varíola. Assim foi a guerra de seis anos. Os indígenas ajudaram os brasileiros a fugir para Cuiabá, cruzaram o Rio Apa e atacaram os paraguaios. Dom Pedro II deu um território na Serra da Bodoquena na borda sudoeste do Pantanal aos Kadiwéu em gratidão pelo seu auxílio na Guerra do Paraguai. -Mas não é suficiente para nós, não foi o que o rei prometeu-, dizem Santos e sua esposa.
A guerra terminou no Tratado de Limites de 1872 e os Guaikuru se desintegraram rápido, por causa da mestiçagem intertribal, do álcool e as epidemias de varíola. As últimas décadas do século XIX, foi o tempo do crescimento artístico, da fabricação de cerâmicas e pinturas corporais complexas. Levi-Strauss fez uma coleção de 400 diferentes desenhos. Os assentamentos da época, semi-sedentários, em cabanas de palha e folhas de palmeira em semicírculo, em locais altos pelas inundações, e os acampamentos temporários de tapiri nas viag ens de caça e pesca -contava o avô de Ana Santos-, se somavam aos engenhos e caldeiras para tirar o caldo da cana. Desde então os Kadiwéu fabricam cerâmicas e tecem panos coloridos de lã e algodão, com contas de vidro; e trançam esteiras, leques e outros artigos de junco. Nos anos de1930 o estado quis modernizar o povo, juntando-o em aldeias, com casas, escola e farmácia, mas as aldeias eram abandonadas. Em 1935 Levi Strauss os achou morando fora das casas em barracas, fabricando chapéus de palha para vender. O território cedido por Dom Pedro II aos Kadiwéu criou muitos conflitos. Em 1957 fazendeiros soltaram 15 mil cabeças de gado, mas o Supremo Tribunal favoreceu os nativos. Durante outros 60 anos, porém, o governo alugou as terras dos Kadiwéu e depois as vendeu aos fazendeiros por preços abaixo do valor. O povo usava só uma fração da terra. Nos anos 80 a FUNAI não tinha recursos para ajudar o povo. O comércio, ensino e assistência médica contra o sarampo, tuberculose e malária eram das missões evangélicas.
Primo de Ana, o líder Kadiwéu Ambrósio da Silva, acertou em 1985 com os fazendeiros, para pagar aluguel direto aos nativos. A FUNAI levantou uma escola e uma clínica em Bodoquena, mas sem suficientes professores e enfermeiros. O povo quis ter uma escola própria com professores Terena, e a Missão Evangélica Unida ajudou a escola e deram assistência médica.
Santos e sua esposa Ana, já quase esquecidos do glorioso passado, e hoje pedintes sem teto onde morar, vagam pelas ruas de Bonito com as suas memórias embrulhadas nas sacolas pobres com seus escassos pertences.
Javier Villanueva Bonito, Mato Grosso do Sul. Agosto de 2018.
Los varios pueblos que habitan las favelas de Brasil
Entre los numerosos pueblos que habitan las favelas de Brasil se encuentran descendientes de los antiguos quilombolas, mujeres y hombres esclavizados que huyeron al interior del país y se ocultaron durante décadas en la selva; también hay descendientes de cientos de pueblos indígenas que viven en las favelas o, en condiciones aún peores, en las calles de las grandes ciudades, como personas sin hogar o, como son llamadas últimamente, sin-techo…
Analicemos ahora la historia de uno de estos pueblos, otrora gloriosos luchadores en la resistencia contra los abusos del hombre blanco.
Los Kadieuwi en Mato Grosso, Brasil
En la década de 1950, en Argentina, surgió una visión revisionista histórica de raíces americanistas respecto a la Guerra del Paraguay. Autores como José María Rosa, Milcíades Peña y Scalabrini Ortiz, poco conocidos en Brasil, incluso negaron posteriormente la responsabilidad inglesa en el conflicto de la Triple Alianza, culpando únicamente al Imperio brasileño y a la Argentina de Mitre, tal como lo había hecho Milcíades Peña en un texto clásico. Afirmó que “ni la monarquía coronada brasileña ni la oligarquía de Bartolomé Mitre libraron la Guerra del Paraguay a instancias de Inglaterra”. En Brasil, esta historiografía también era desconocida. Hoy en día existe un tercer tipo de reinterpretación del conflicto que —retomando los mitos de los partidarios de Mitre y Caxias sobre la supuesta provocación de la guerra por parte de Solano López, impulsada únicamente por ambiciones expansionistas— invierte por completo la perspectiva revisionista y retoma la narrativa de victimización del Imperio y de Buenos Aires, supuestamente atacados por Paraguay.
Existe otra perspectiva que, en contraposición a las anteriores, sostiene desde la década de 1960, desde un punto de vista más afín a la lucha ideológica de la época entre capital y socialismo, que el motivo del conflicto fueron los intereses británicos, que buscaban impedir el ascenso de un Paraguay poderoso, tanto económica como militarmente. Después de 1980, nuevos estudiosos, como el argentino Pomer, sugieren que las causas podrían ser una combinación de las hipótesis previas, lo cual ilustra mejor los procesos contradictorios de construcción de cada uno de los estados-nación de la región. Sin embargo, ninguna de estas perspectivas aborda el papel de los pueblos originarios en dicho proceso.
Conocí al historiador argentino León Pomer en 1994, en un curso en la ciudad de Assis, y pasamos más de tres horas conversando sobre la Guerra de la Triple Alianza y los Kadeweu-Guaikurus, los Indígenas jinetes. Pomer acababa de visitar al historiador guaraní Ilfo Rivero y de conversar con Próspero R. Garay, héroe de la otra guerra trágica, la Guerra del Chaco entre Paraguay y Bolivia. Mi encuentro con Pomer pareció dar continuidad al que tuve con el también artista argentino Caribé, un apasionado de Brasil, cuando inauguramos el Fondo de Cultura Económica do México en São Paulo, en 1991, y tuve el honor de llevarlo al Memorial da América Latina. También recordé a Eric Hobsbawm, quien decía que algunos argentinos eran eternos imitadores de San Martín, cruzando sierras y colinas en busca de la integración y la fraternidad entre los pueblos de nuestra Amerindia sufrida. Jamás imaginé que, 24 años después, en un viaje a Bonito, en Mato Grosso do Sul, volvería a encontrarme con el espíritu, si no con la presencia viva, de Próspero R. Garay, un hombre de 103 años con quien mantuve largas conversaciones en la Casa da Memória Raída de Bonito, un lugar dedicado a combatir el olvido y resistir la negli - gencia histórica en este pequeño pueblo turístico, situado justo en la ruta del avance paraguayo a través del territorio brasileño al comienzo de la guerra. Un paraguayo, a quien ya había visto en Bodoquena, estaba en la Casa, y hablamos sobre las lenguas kadiweu y guaikuru. Era sobrino nieto de Próspero R. Garay. Todo parecía una coincidencia, pero al día siguiente, en la entrada del hotel, una familia sin hogar pedía comida y dinero.
Eran Kadiweus, de la otrora orgullosa nación de los Indios jinetes, hoy no más de mil habitantes en el Pantanal Sur, entre Bodoquena y los ríos Nabileque y Aquidavão, al norte del municipio de Porto Murtino, MS, que en su momento llegó a tener 1.629 pobladores en un territorio de medio millón de hectáreas, creado en 1903. Santos, originario de la antigua nación y padre del grupo de mendicantes, es uno de los últimos sobrevivientes de los Guaikuru del Gran Chaco. Guaycurú en español, o Guaikuru en portugués, era un nombre ofensivo que los guaraníes daban a los Mbayá de Paraguay. Los Guaikuru son un pueblo que, desde tiempos remotos, se especializó en el cuidado de los caballos. Se desconoce con exactitud cuándo comenzaron a domesticar el caballo, que los españoles llevaron al Chaco en el siglo XVI en grandes manadas que cubrían los pastizales.
Hacia finales de siglo, los nativos capturaron y adoptaron el caballo, lo que les proporcionó la movilidad necesaria para trans - formar su sociedad, la caza, la guerra contra otros pueblos y contra los españoles, y la expansión de su territorio. Su sociedad se com - ponía de clases sociales: nobles, guerreros, sirvientes vasallos —los guará— y nativos esclavizados, cautivos de otras tribus. Los jesuitas intentaron establecer una misión con los antepasados de Santos en 1609 y otra en 1613, pero la abandonaron en 1626 por falta de resultados y, sobre todo, por la ausencia de los nativos, quienes se dedicaban constantemente a la caza, la pesca y la recolección. Los sacerdotes intentaron cultivar la tierra, pero para los guaikurus, esta actividad era propia de los cautivos.
Cuando atacaron las misiones jesuitas de Itatim y el territorio se convirtió en la Tierra Mbaiânica, entre los ríos Taquari y Jejuí, los guaikurus ya eran jinetes expertos. Victoriosos, rebautiza - ron la región: los ríos que los castellanos llamaban Corrientes y Piray pronto se convirtieron en Apa y Aquidaban; el distrito de Pitun, Piray e Itati pasó a llamarse Aguaguigo. Este cambio, que alteró la geografía y la demarcación de fronteras, es prueba del dominio territorial de los guaikurus. También hablé con la esposa de Santos, quien me dijo, en sus pocas palabras de portugués, que en la cosmovisión original de su pueblo, el término “territorio” no existía. Este concepto surgió únicamente tras el contacto con los blancos. Antes, el indígena venía y se iba, y él mismo definía su vida y su destino sin tutelas ni limitaciones.
Tras el contacto con los blancos, llegó la dominación, la explotación y la violencia, afirmó Ana Santos, y reiteró que hoy los pueblos indígenas necesitan reivindicarse; antes no era así, la naturaleza se encargaba de ello. La tierra lo garantiza; por eso la tierra lo es todo.
Los Guaikurus-Kadiweu, en una larga franja a ambos lados del río Paraná, en la frontera con Paraguay, vivían en grupos familiares. Su territorio, rico en yerba mate, explotado tras la guerra, era su principal fuente de sustento económico. Casi todo el territorio original de los Guaikurus fue arrendado a la Compañía Matte Larangeira. El abuelo de Santos, quien trabajaba para la Compañía, contó que al finalizar la guerra y en la década de 1930, con el declive de la empresa, los frentes agrícolas y ganaderos comenzaron a ocupar el territorio. Luego llegaron las estancias ganaderas y, en 1970, el monocultivo de soja y la tala sistemática del bosque nativo, hábitat de los Guaikurus. La familia de Santos, junto con otros habitantes de las fincas, se vio obligada a trasladarse a reservas delimitadas por el gobierno, lo que generó sobrepoblación en estas zonas. El último empujón de la agroindustria —me cuenta Santos— fueron los ingenios azucareros y las plantas de etanol, con extensas plantaciones de caña de azúcar que emplean mano de obra indígena para la cosecha. El último empujón de la agroindustria —me cuenta Santos— fueron los ingenios azucareros y de alcohol, con extensas plantaciones de caña de azúcar que emplean mano de obra indígena para la cosecha. Durante esos años de pérdidas territoriales, el pueblo Guaikuru-Kadiweu y otros de Mato Grosso do Sul, en la década de 1970, comenzaron a exigir la devolución de su territorio perdido.
Santos afirma con orgullo que los Guaikurus tienen su historia guerrera, narrada hoy por sus descendientes, los Kadiwéus de Mato Grosso do Sul. El Creador Gô-noêno-Hôdi sacó a todos los pueblos de un pozo y les asignó a cada uno funciones distintas. Algunos tomaron la azada y se convirtieron en agricultores, otros en artesanos. Pero el Creador se olvidó de los Kadiwéus, quienes fueron los últimos en emerger del pozo. Por eso, dice Santos, el Creador les permitió tomar prestado un poco de cada pueblo. En la Casa da Memória Raída, en Bonito, escuché que los ancestros de los Kadiwéus podrían haber venido de la Pata - gonia argentina, quizá parientes de los Tehuelches y Mapuches, e incluso de los extintos Charruas uruguayos.
Otros creen que su origen es andino. Lo cierto es que la región que ocuparon en el centro de Sudamérica recibió influencias amazónicas, de la Pampa y de las grandes civilizaciones andi - nas de los Incas. Los vecinos se convirtieron en agricultores sedentarios, pero continuaron su vida nómada, divididos en tribus sin unidad política, pero con una lengua y costumbres bastante similares. Los guaikurus dominaban la zona.
Santos afirma con orgullo que los Guaikurus tienen su historia guerrera, narrada hoy por sus descendientes, los Kadiwéus de Mato Grosso do Sul. El Creador Gô-noêno-Hôdi sacó a todos los pueblos de un pozo y les asignó a cada uno funciones distintas. Algunos tomaron la azada y se convirtieron en agricultores, otros en artesanos. Pero el Creador se olvidó de los Kadiwéus, quienes fueron los últimos en emerger del pozo. Por eso, dice Santos, el Creador les permitió tomar prestado un poco de cada pueblo. En la Casa da Memória Raída, en Bonito, escuché que los ancestros de los Kadiwéus podrían haber venido de la Pata - gonia argentina, quizá parientes de los Tehuelches y Mapuches, e incluso de los supuestamente extintos Charrúas uruguayos.
Otros creen que su origen es andino. Lo cierto es que la región que ocuparon en el centro de Sudamérica recibió influencias amazónicas, de la Pampa y de las grandes civilizaciones andi - nas de los Incas. Los vecinos se convirtieron en agricultores sedentarios, pero continuaron su vida nómada, divididos en tribus sin unidad política, pero con una lengua y costumbres bastante similares. Los guaikurus dominaban la zona.
Según los relatos, mataron al portugués Aleixo García en 1526, cuando este partió de Santa Catarina con una tropa guaraní, saqueó puestos avanzados incas y, a su regreso, fue derrotado por los Guaikuru. Trataban a otras tribus con la misma seve - ridad con que los nobles europeos trataban a sus campesinos, saqueando sus bienes y obligándolos a cultivar la tierra para ellos. Recaudaban tributo a cambio de protección, al igual que los aztecas e incas con sus vecinos. El poder de los Guaikuru radicaba en el entrenamiento de los jóvenes en rituales de inicia - ción guerrera desde la infancia, utilizando caballos europeos, lo que permitió a los Mbayá-Guaikuru expandir su territorio. La pintura corporal de los Kadiwéu, según los abuelos de Santos, impresionó al antropólogo Lévi-Strauss por su complejidad y simetría. Darcy Ribeiro (véase el número 1 de ACeSociedadeBrasil), quien visitó a los Kadiwéu en 1940, observó que no tenían interés en las personas más humildes. Por el contrario, “su herencia legendaria”, dice Darcy, “era la mentalidad de un pueblo cuya característica más elaborada es el etnocentrismo, la idea de la predestinación de los Kadiwéu a gobernar el mundo”. “Al adoptar el caballo, que para otros indígenas era un animal que crecía en los campos, se formaron como jefes pastoriles, enfrentando vigorosamente al invasor, infligiéndole derrotas y pérdidas que amenazaban la expansión europea.
Uno de los cronistas de la expansión de la civilización en sus territorios nos dice claramente que “casi exterminaron a los españoles de Paraguay”. Francisco Rodrigues do Prado, miembro de la Comisión de Límites de Hispanoamérica y Portuguesa, estimó que 4.000 personas de São Paulo fueron asesinadas por ellos a lo largo de las rutas de comunicación con Cuiabá”, relata Darcy Ribeiro en “El pueblo brasileño”. La colonización ibérica se consolidó en la región, principalmente en Fuerte Borbón y Concepción, en el lado castellano, y en Coímbra, Albuquerque y Miranda. Allí también se dieron las condiciones para una guerra tripartita entre españoles, portugueses y guaikurus. Los íbéricos luchaban entre sí para expandir sus fronteras, y los guaikurus combatían contra ambos para proteger su territorio. La victoria solo la alcanzarían quienes lograran aliarse con los nativos. Los guaikurus demostraron gran astucia frente a ambos bandos. Mi nuevo amigo Santos, en la pequeña plaza de Bonito, cuenta que se acercaron a los portugueses, lo que finalmente culminó en el tratado de paz y amistad firmado en 1791. Para 1826, ya no había violencia entre los portugueses-brasileños y los temibles caballeros.
Con los españoles de Asunción, los indígenas jugaron a dos bandas: fingían acercarse, pero continuaban atacando la frontera. Esta situación se intensificó tras la independencia de Paraguay. El gobierno paraguayo deforestó el bosque cercano a Concepción, donde los nativos recolectaban cocos anualmente, y luego aumentaron sus ataques contra Paraguay. Al mismo tiempo, se fortaleció la relación con los brasileños, quienes les suministraban armas y municiones y les compraban el botín de guerra. En 1850, Brasil y Paraguay negociaron la navegación de los ríos de la región, vitales para Mato Grosso, pero una tropa de nativos y brasileños tomó Fuerte Olimpo, y el gobierno de Mato Grosso se vio obligado a castigar a sus aliados guaikurú.
Cuando la ocupación de Mato Grosso por las tropas paraguayas dio inicio a la Guerra de la Triple Alianza, la defensa del país requirió el apoyo de los pueblos indígenas del Pantanal, me cuenta Santos, relatando la historia de su abuelo. Gran parte del pueblo chaco se unió a la lucha contra Paraguay a favor del Imperio de Brasil. Algunos, “voluntarios de la patria”, incluso bajo reclutamiento forzoso, lucharon bajo las órdenes del Imperio por una nación cuya existencia ni siquiera conocían, porque libraban su propia guerra particular dentro de la guerra mayor.
Los nativos de aquella época, incluso después de terminada la guerra, seguían exhibiendo condecoraciones por sus actos de valentía y desfilaban con sus atuendos de guerra, símbolo del orgullo por su participación. En el Pantanal, Ana y Santos relatan que los Gaiukuru atacaron a los paraguayos mediante la guerra de guerrillas. En 1865, los Terena derrotaron a los paraguayos, matando a tres indígenas y a once soldados de Solano López, y robando municiones. Más tarde, bajo fuego intenso, rodearon al enemigo hasta obligarlo a abandonar los campos, llevándose consigo muchos animales. Después, ya sin municiones, corrieron a pedir reabastecimiento a las fuerzas imperiales. Según lo que su abuelo le contó a su amigo Santos, un oficial brasileño dijo que la petición sería concedida «porque han hecho mucho». En la memoria de su pueblo, dice la esposa de Santos, la Guerra de Paraguay fue un momento crucial. El suceso —relatado por su abuelo Victoriano— fue presenciado por la investigadora Mônica Pechincha, quien conoció a los Kadiwéu en 1992 y, tras escuchar decenas de relatos, concluyó que la Guerra del Paraguay “es el acontecimiento que define la relación de los Kadiwéu con la nación brasileña. Y es parte fundamental de la reivindicación de sus derechos territoriales”.
A finales del siglo XVIII, los guaikuru, a pesar de su cercanía con los portugueses-brasileños y su asentamiento cerca del Fuerte Coimbra y la ciudad de Albuquerque, no se dejaron seducir fácilmente por las insistentes propuestas del Estado brasileño de concentrarlos en “reservas”. “Quien describe a los guaikuru”, dijo Vitoriano Santos, “habla inmediatamente de sus rasgos más visibles: fuertes, valientes hasta la temeridad; pero salvajes y violentos; traicioneros, aunque hermosos, orgullosos y vivaces”. La figura de los guaikuru era imponente: “Su tamaño, belleza y elegancia, así como su fuerza, superan con creces a los españoles, y consideran a la raza europea muy inferior a la suya”, resume el explorador Félix de Azara en sus relatos. Cuando, en 1864, el ejército paraguayo invadió Mato Grosso e intentó llevar a los guaikuru a su territorio, la nación indígena se negó, y la mayoría murió de viruela. Así terminó la guerra de seis años. Los indígenas ayudaron a los brasileños a huir a Cuiabá, cruzaron el río Apa y atacaron a los paraguayos. Dom Pedro II cedió territorio en la Serra da Bodoquena, en el extremo suroeste del Pantanal, a los Kadiwéu en agradecimiento por su ayuda en la Guerra de Paraguay. -Pero no nos basta, no era lo que el rey prometió-, dicen Santos y su esposa.
La guerra terminó con el Tratado de Límites de 1872, y el pueblo Guaikuru se desintegró rápidamente debido al mestizaje, el consumo de alcohol y las epidemias de viruela. Las últimas décadas del siglo XIX fueron una época de florecimiento artístico, con la producción de cerámica y complejas pinturas corporales. Lévi-Strauss reunió una colección de 400 diseños diferentes. Los asentamientos de la época, semisedentarios, consistían en chozas de paja y hojas de palma dispuestas en semicírculos, construidas en terrenos elevados para protegerse de las inundaciones. Los campamentos temporales improvisados durante las expediciones de caza y pesca —como relataba el abuelo de Ana Santos— se complementaban con ingenios azucareros y calderas para extraer el jugo de la caña de azúcar. Desde entonces, el pueblo Kadiwéu ha producido cerámica y tejido coloridas telas de lana y algodón con cuentas de vidrio; además de trenzar esteras, abanicos y otros artículos de junco. En la década de 1930, el Estado intentó modernizar a la población, agrupándola en aldeas con casas, una escuela y una farmacia, pero estas fueron abandonadas. En 1935, Levi Strauss los encontró viviendo en tiendas de campaña a la intemperie, tejiendo sombreros de paja para vender. El territorio cedido por Dom Pedro II a los Kadiwéu generó numerosos conflictos. En 1957, los ganaderos liberaron 15.000 cabezas de ganado, pero el Tribunal Supremo falló a favor de los indígenas.
Durante otros 60 años, el gobierno arrendó las tierras Kadiwéu y luego las vendió a agricultores por debajo del precio de mercado. La gente solo utilizaba una fracción de la tierra. En la década de 1980, la FUNAI (Fundación Nacional del Indio) carecía de los recursos necesarios para ayudar a la población. Las misiones evangélicas proporcionaban comercio, educación y asistencia médica contra el sarampión, la tuberculosis y la malaria.
El primo de Ana, el líder Kadiwéu Ambrósio da Silva, llegó a un acuerdo en 1985 con los agricultores para pagar la renta directamente a los indígenas. La FUNAI* construyó una escuela y una clínica en Bodoquena, pero sin suficientes maestros ni enfermeras. La gente quería tener su propia escuela con maestros de la nación Terena, y la Misión Evangélica Unida colaboró con la escuela y brindó asistencia médica.
Santos y su esposa Ana, casi olvidados de su glorioso pasado, ahora mendicantes sin techo para vivir, vagan por las calles de Bonito con sus recuerdos envueltos en unas pocas bolsas y pobres paquetes que contienen sus escasas pertenencias.
FUNAI* Fundación Nacional de los Pueblos Indígenas de Brasil, es una agencia gubernamental encargada de proteger y de promover los derechos de los pueblos indígenas en todo el país. Fundada en 1967, sus funciones principales incluyen la demarcación de tierras indígenas, la protección de los pueblos aislados, la fiscalización y la implementación de políticas para el desarrollo sostenible y el respeto a la cultura y los derechos indígenas.
Javier Villanueva Bonito, Mato Grosso do Sul. Agosto de 2018
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