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Por: Javier Villanueva
O edifício, de Murillo Rubião
Muitos podem se perguntar o que essa passagem literária tem a ver com uma edição da Arte, Cultura e Sociedade-Brasil que trata em sua maior parte das favelas e da luta pela sobrevivência de grande parte da população brasileira — e latino-americana —, que, além de viver em espaços precários, está sempre em risco de perdê-los, seja pela violência que os aflige, pela falta de trabalho digno ou pela falta de apoio estatal.
O tema do livro que vamos examinar brevemente relaciona- -se à utopia dos séculos XX e XXI: crescer, adquirir e acumular, mesmo que às vezes não entendamos por que o fazemos e para onde estamos caminhando com esse ritmo de vida.
A literatura portuguesa, e especialmente a brasileira, é quase um mistério para nós, falantes de espanhol nas Américas. Justamente por isso, e como mencionei anteriormente em outro artigo para a A.C. y S-Brasil, nossa intenção é sempre ajudar a construir pontes dentro do vasto continente latino-americano
Mais uma vez, trago à tona Rubião, um autor com uma obra pequena, mas cuja escrita atinge um nível de realismo mágico comparável ao de outros gênios da literatura latino-americana, como Gabriel García Márquez, Horacio Quiroga ou Adolfo Bioy Casares.
Segundo Jorge Luis Borges, essa literatura de realismo mágico “visa oferecer metáforas da realidade — por meio das quais o escritor busca transcender as observações prosaicas do realismo — e escapar para um território livre”
O fantástico produz imagens que fogem à ordem racional das palavras e da própria cultura, transbordando e negando o convencional; transcendendo.
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| Murilo Rubião. |
natureza intrínseca da arte literária é criar — sem dispensar as palavras — uma ilusão: expressar uma realidade através do fantástico e transformá-la em ficção, da qual surge a denúncia do absurdo dessa realidade. E Rubião é talvez o melhor exemplo brasileiro do que estamos dizendo.
Nos quase 70 anos que se passaram desde a publicação do primeiro livro de Murilo Rubião, O ex-Mágico, em 1947 — obra que já discutimos na Revista Arte, Cultura e Sociedade- México — o que mais se destacou foi seu status como precursor de um gênero fantástico sem precedentes na literatura brasileira.
Os primeiros artigos sobre a obra de Rubião alertavam para a impossibilidade de definir o que eram suas histórias; havia certa surpresa, uma mistura de desconforto, provocada por um conjunto de trabalhos tão diferente de tudo o que se vira no Brasil até então. Moacir de Andrade, no jornal Estado de Minas, em 3 de dezembro de 1947, afirmou categoricamente que a única coisa que se podia dizer com certeza era que se tratava de “histórias de Murilo Rubião”. Nada mais.
“O Prédio”, de Murilo Rubião, é um conto que narra a construção de um edifício com incontáveis andares, uma espécie de Torre de Babel moderna. A história acompanha o engenheiro João Gaspar, o gerente da obra e os operários, que enfrentam desafios e conflitos em meio a um projeto de propósito duvidoso.
A história começa com uma descrição mais ou menos detalhada do ambicioso e aparentemente ilimitado projeto do edifício, que seria o arranha-céu mais alto já construído, evocando imediatamente a mítica Torre bíblica.
João Gaspar, o engenheiro responsável, enfrenta a tarefa de coordenar a construção e prevenir potenciais conflitos e desentendimentos entre os operários, situações que se intensificam à medida que o projeto avança em direção ao inacessível — ou pelo menos inimaginável — octogésimo andar.
A narrativa explora a estranheza e o absurdo de toda a situação, marcas registradas do realismo fantástico do escritor brasileiro Murilo Rubião. A história questiona o verdadeiro significado do projeto, o propósito do enorme esforço despendido pelos operários e pelo próprio mestre de obras; e lança dúvidas sobre o destino dos trabalhadores, que parecem cada vez mais presos, sem saída possível, em um ciclo interminável de construção.
A história apresenta uma crítica à modernidade, à rápida urbanização e ao trabalho mecanizado, que consomem os indivíduos e os distanciam do sentido da sua própria existência, alienando-os não só do produto do seu trabalho.
De algum modo, evoca a cena da fábrica de Charles Chaplin em Tempos Modernos, enquanto a personagem de João Gaspar representa a impotência do homem perante processos que não consegue compreender ou controlar, mas que o consomem, tanto física como mentalmente.
Murilo Rubião utiliza elementos fantásticos para explorar a realidade e a condição humana. A construção do edifício serve de metáfora para a sociedade moderna, com os seus excessos, a sua falta de sentido e a alienação do trabalho.
O absurdo da existência humana é narrado numa história que questiona o propósito da vida e o impacto da modernidade nas experiências de mulheres e de homens.
A obra explora não só a relação da humanidade com o trabalho, mas também seu distanciamento, seu afastamento dos objetivos iniciais de alimentação e abrigo, e sua transformação em mera engrenagem de um processo produtivo, o que leva à falta de diálogo e à dificuldade de entendimento mútuo, além de tantas outras características negativas da sociedade contemporânea.
JV. São Paulo, enero de 2026
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| Almuerzo en lo alto de un rascacielos, fotografía de 1932 de Charles Ebbets. |
UM POUCO MAIS SOBRE A CULTURA, A ARTE E A LITERATURA BRASILEIRAS.
Trecho de uma palestra proferida por Javier Villanueva a um grupo encantador de senhoras patrocinadoras do Museu MACRO em Monterrey, México, antes de sua visita a São Paulo em setembro passado.
Revista Noigandres (1952 a 1962
Noigandres foi um grupo de poetas formado em 1952 em São Paulo, Brasil. Seus membros foram Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos e, posteriormente, Ronaldo Azeredo e José Lino Grünewald. Com esse grupo, surgiu no Brasil o movimento da Poesia Concreta, e uma teoria sobre ela foi desenvolvida, tendo como órgão a revista Noigandres e Invenção, publicada de 1952 a 1962.
A enigmática palavra noigandres aparece em um dos poemas do trovador Arnaut Daniel, artista do século XIII cuja obra foi escrita em occitano, no dialeto limusino, serviu como título da revista que a promoveu e como nome do grupo de poesia concreta. Henri Pascal de Rochegude, autor de “Essai d'un glossaire occi - tanien: pour servir à l'intelligence des poésies des Troubadours”, um dicionário publicado em Toulouse (1819), registra a palavra com o significado de “noz-moscada”; no entanto, especula-se que seja um simples erro ortográfico.
Por meio de sua publicação na revista Noigandres, três autores brasileiros tentaram disseminar a poesia concreta no país. Essa revista, que assumiu a forma de um manifesto, também desta - cou os fundamentos da poesia concreta, bem como os principais componentes que desafiavam os críticos e poetas da época
A Revista Pau Brasi
O Movimento Pau Brasil foi um dos diversos momentos modernis - tas que se desenvolveram durante a Primeira Fase do Modernismo no Brasil, conhecida como a "fase heroica". Essa fase apresentou diferentes formas de abordagens patrióticas.
Esse movimento teve início em 1924 com a publicação do Manifesto Poético Pau Brasil, escrito por Oswald de Andrade.
O manifesto é uma declaração que expressa a importância do Brasil desenvolver sua própria literatura; foi publicado no jornal carioca Correio da Manhã em 18 de março de 1924.
O Manifesto Poético Pau Brasil inicia com o seguinte trecho:
A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.
O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau - -Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.
Em 1925, foi publicado Pau-Brasil, um livro de poemas de Oswald de Andrade (1890-1954) ilustrado por sua esposa, a artista Tarsília do Amaral (1886-1973).
JV. São Paulo, janeiro de 2026
El edificio, de Murillo Rubião
Muchos podrán preguntarse qué tiene que ver este trecho literario en un número de Arte, Cultura y Sociedad-Brasil que trata en gran parte del tema de las favelas y la lucha por la subsistencia de una gran sector de la población brasileña -y también latinoamericana- que, aparte de vivir en espacios precarios, siempre corre el riesgo de perderlos, sea por la violencia que los afecta, por la falta de trabajo digno y de apoyo estatal.
El tema del libro que vamos a ver rápidamente tiene que ver con la utopía del siglo XX y XXI, que es la de crecer, adquirir y acumular, aunque a veces no logremos entender por qué lo hacemos y hacia adónde vamos en ese ritmo de vida tan centrada en el consumo.
La literatura en portugués, y sobre todo las letras brasileñas, son casi un misterio para los que hablamos español en América y, como ya lo dije antes, en otro artículo de A. C y S-México, nuestra intención es siempre ayudar a tender puentes dentro del enorme continente latinoamericano.
Otra vez traigo acá a Rubião, un autor de poca producción, pero que en su obra alcanza un vuelo tan alto de realismo fantástico como el de otros genios de las letras latinoamericanas, como Gabriel García Márquez, Horacio Quiroga o Adolfo Bioy Casares.
Según Jorge L. Borges, esta literatura del realismo mágico “tiene más bien el objetivo de ofrecer metáforas de la realidad —a través de las cuales el escritor busca trascender las observaciones pedestres del realismo— y escapar a un territorio libre”.
Lo fantástico trae imágenes que huyen del orden racional de las palabras y de la misma cultura, desbordando y negando lo convencional; trascendiendo.
La naturaleza intrínseca del arte literario es crear —sin prescindir de las palabras— una ilusión: expresar una realidad a través de lo fantástico y transformarla en ficción, de donde surge la denuncia del absurdo de esta realidad. Y Rubião es tal vez el mejor ejemplo brasileño de esto que decimos.
En los casi 70 años transcurridos desde la publicación del primer libro de Murilo Rubião, El Ex Mago, en 1947, —obra que ya comentamos antes en nuestra Revista mexicana— lo que más se ha destacado es su condición de precursor de un género de fantasía sin precedentes en la literatura brasileña. Los primeros artículos sobre la obra de Rubião alertan sobre la imposibilidad de definir qué son sus cuentos; se siente en ellos una cierta sorpresa, una mezcla de incomodidad, provocada por una obra tan distinta a todo lo que se había visto en Brasil hasta entonces. Moacir de Andrade, en el periódico Estado de Minas, el 3 de diciembre de 1947, dice sin tapujos que lo único que se puede afirmar con certeza es que son “cuentos de Murilo Rubião”. Nada más.
“El Edificio” es un relato corto que narra la construcción de un rascacielo de infinitas plantas, una especie de Torre de Babel moderna. La historia sigue al ingeniero João Gaspar, director de obra, y a los obreros, quienes enfrentan desafíos y conflictos en medio de un proyecto de dudosa finalidad.
La historia empieza con una descripción más o menos detallista del ambicioso y aparentemente ilimitado diseño del edificio, que sería el más alto jamás construido, y uno en seguida se acuerda de la mítica Torre de Babel.
João Gaspar, el ingeniero a cargo, se enfrenta a la tarea de coordinar la construcción y evitar los posibles conflictos y desacuerdos entre los obreros, situaciones que se van intensificando en la medida que el proyecto avanza hacia el inaccesible —o por lo menos inimaginable— piso ochocientos.
La narrativa explora lo extraño y lo absurdo de toda la situación, que son los sellos distintivos del realismo fantástico del brasileño Murilo Rubião. La historia cuestiona el sentido real de la obra, el propósito del enorme esfuerzo aplicado por los obreros y por el mismo encargado; y pone en duda el destino de los trabajadores, quienes parecen cada vez más atrapados, sin salidas posibles, en un ciclo interminable de construcción.
La historia presenta una crítica a la modernidad, a la urbanización acelerada y al trabajo mecanizado, que consumen a los individuos y los distancian del sentido de su propia existencia, y no solo los aliena del producto de sus labores. Nos recuerda el Charles Chaplin de la fábrica de Tiempos Modernos, mientras que la propia figura de João Gaspar representa la impotencia del hombre ante procesos que no puede comprender ni controlar, pero que lo consumen, física y mentalmente.
Murilo Rubião utiliza elementos fantásticos para explorar la realidad y la condición humana. Mientras que la construcción del edificio sirve como metáfora de la sociedad moderna, con sus excesos, sus sinsentidos y la enajenación del trabajo.
El absurdo de la existencia humana se relata en una historia que cuestiona el propósito de la vida y el impacto de la modernidad en la experiencia de mujeres y hombres.
No solo explora la relación de la humanidad con el trabajo, sino también su alienación, su alejamiento de los objetivos iniciales de alimentación y abrigo, y su transformación en un mero engranaje de un proceso productivo, lo que lleva a la falta de diálogo y a la dificultad del entendimiento mutuo, como tantas otras características negativas de la sociedad contemporánea.
JV. São Paulo, enero de 2026
UN POCO MÁS DE CULTURA, ARTE Y LETRAS BRASILEÑAS.
Extracto de una charla ofrecida por Javier Villanueva a un simpático grupo de señoras patrocinadoras del Museo MACRO de Monterey, México, antes de su visita a São Paulo en el mes de septiembre pasado.
Revista Noigandres (1952 a 1962)
Noigandres fue un grupo de poetas formado en 1952 en São Paulo, Brasil. Estaba integrado por Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos y, más tarde, por Ronaldo Azeredo y José Lino Grünewald. Con el grupo, surgió en Brasil el movimiento de la Poesía Concreta, y se creó una teoría sobre dicho movimiento, cuyo órgano fue la revista Noigandres e Invenção que fue publicada de 1952 a 1962.
La enigmática palabra noigandres, aparece en uno de los poe - mas del trovador Arnaut Daniel, - artista del siglo XIII, cuya obra fue escrita en occitano, en dialecto limousin- y sirvió como título de la revista que la promovió y como nombre del grupo de poesía concreta. Henri Pascal de Rochegude, autor de “Essai d'un glossaire occitanien: pour servir à l'intelligence des poésies des Troubadours”, un diccionario publicado en Toulouse (1819), regis - tra la palabra con el significado de “nuez moscada”; sin embargo, se ha especulado que se trata de un simple error ortográfico.
Mediante su publicación en la revista Noigandres, tres autores brasileños intentaron difundir la poesía concreta en el país. Esta revista, que adoptó la forma de un manifiesto, también destacó los fundamentos de la poesía concreta, así como los componentes clave que desafiaron a los críticos y poetas de la época.
Las publicaciones de periódicos y revistas de arte y cultura buscaban compartir una base de referencia común con los lectores, permitiéndoles comprender y disfrutar de la poesía concreta y las innovaciones que trajo al mundo literario.
Sin embargo, al dirigirse a un público con suficiente capital social para validar el proyecto, estas obras citaban exhaustivamente a autores de diversos campos, lo que dificultaba la comprensión de la propuesta por parte de un público más amplio.
De hecho, en 1957, cinco años después de la publicación del primer volumen de Noigandres, la poesía concreta recibió el estatus de poesía erudita y se consideró imprescindible para la reflexión sobre la literatura brasileña. Sin embargo, siguió siendo un arte restringido. Al leer fragmentos de Augusto y Haroldo de Campos y Décio Pignatari, uno se da cuenta de que sus teorizaciones son casi impenetrables. Esto, en última instancia, compromete la recepción de las obras literarias producidas e incluso puede generar aversión en el lector.
La revista Pau Brasil.
El Movimiento Pau-Brasil fue uno de los varios modernistas que se desarrollaron durante la Primera Fase del Modernismo en Bra - sil, conocida como la "fase heroica". Esta fase presentó diferentes formas de enfoques patrióticos.
Este movimiento comenzó en 1924 con la publicación del Manifiesto de la Poesía Pau-Brasil, escrito por Oswald de Andrade.
El manifiesto es una declaración que transmite la importancia de que Brasil desarrolle su propia literatura; se publicó en el periódico Correio da Manhã, de Río de Janeiro, el 18 de marzo de 1924.
El Manifiesto de la Poesía Pau-Brasil comienza con el siguiente fragmento:
“La poesía existe en los hechos. Las chozas color azafrán y ocre en el verdor de la favela, bajo el azul cabraliano, son hechos estéticos.
El Carnaval de Río es el evento religioso de la raza. Pau Brasil. Wagner se sumerge ante las bandas de Botafogo.
Bárbaro y nuestro. La rica formación étnica. La riqueza vegetal. La riqueza mineral. La gastronomía. Vatapá, el oro y la danza”.
En 1925 se publicó Pau-Brasil, un libro de poemas de Oswald de Andrade (1890-1954) ilustrado por su esposa, la artista Tarsília do Amaral (1886-1973).
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