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Charles Darwin e sua outra seleção: Shrewsbury Town F.C. | CLAYTON FAGUNDES CARDOSO | Octubre 2026

Por: Clayton Fagundes Cardoso


Charles Darwin e sua outra seleção: Shrewsbury Town F.C.

Conto originalmente publicado no livro Darwin e a Outra Seleção no ano de 2025.

Oceano, 13 de agosto de 1835.

A noite anterior em alto mar tinha sido difícil. O “HMS Beagle”, embarcação a vela da Marinha Real Britânica, sofreu avarias em seu casco durante uma tempestade furiosa, estando a um passo de naufragar quase na costa de Valparaíso, cidade litorânea do Chile. A chegada ao porto da cidade chilena foi possível graças à precisão e competência do seu capitão Robert FitzRoy, pioneiro na área de precisão do tempo, a meteorologia.

Ao aportar no país andino, Robert foi logo reunindo sua tripulação. Entre marinheiros truculentos, e um jornalista chamado Gay Capote, responsável por relatar e enviar informações da expedição para a capital, estava um jovem naturalista de 26 anos de idade chamado Charles Darwin. 

Darwin estava na embarcação com a missão de ser o consultor científico da expedição, fazendo observações geológicas e coletando diversas formas de vida. O capitão fazia questão de conversar com cada um de seus subordinados. Após sua reunião com Capote, Darwin foi chamado para falar com o capitão. Rapidamente, o jovem se dirigiu à cabine. Ao chegar Robert foi logo perguntando: — Temeu pela nossa sorte essa noite Darwin? Perguntou Robert olhando nos olhos do jovem naturalista.

O rapaz foi contundente dizendo: — Nem um pouco capitão, tive sempre a confiança que iria nos conduzir a terra firme em segurança.

As palavras de Darwin vieram como uma massagem no ego de Robert, que retribuiu a gentileza com um elogio. — Digo o mesmo sobre seu trabalho meu amigo, sei que suas observações acerca da natureza vasta que estamos encontrando será essencial para os estudos e para posteridade.

Darwin sentou-se e permaneceu em silêncio, quase que em transe. — O que pensa, meu amigo? Indagou Robert para Darwin.

— Estava pensando, estamos há quatro anos distantes de nossa terra, nessa expedição, sempre me correspondo com minhas irmãs Catherine e Susan para falar dos meus gastosnessas terras distantes, e a saudade da família. Darwin era um dos seis filhos de Robert Waring Darwin, um respeitado médico e SusannahWedgwood, filha de um rico industrial da área de cerâmica. Além de Catherine e Susan, irmãs que adotaram o papel de mães do jovem Charles após a morte prematura da mãe Susannah quando o garoto tinha apenas 8 anos, Mariane, Emily Catherine e o único irmão Erasmus, carinhosamente apelidado de Ras, formavama família de Darwin. 

O capitão Robert ouvindo atentamente as palavras de Darwin a respeito da família sabia que a saudade do jovem naturalista se estendia além da saudade familiar. 

— Ora meu amigo Darwin, sei que além da saudade de nosso país e da sua família está uma vontade danada de ver um certo time de futebol de Shrewsbury, não é?

Darwin olhando para o capitão apenas sorriu e disse: — Sim, meu amigo, tenho saudade de ir junto com Ras ao nosso estádio “New Meadow” ver o nosso Shrewsbury Town jogar. O capitão Robert sabia que entre a curiosidade sobre o mundo e a paixão pela natureza, Charles dividia com o irmão a paixão pelo clube de sua cidade natal.

— Imaginei, meu caro.Eu também sinto falta do meu Ipswich Town! Mas tenho um convite a fazer, sei que não irá suprir a saudade dos nossos clubes totalmente, mas será uma bela distração.

Charles Darwin, curioso por natureza, logo perguntou do que se tratava. E o capitão Robert FitzRoy disse: — Ora meu amigo, iremos a um jogo de futebol do time local contra um dos grandes deste país.

Darwin ficou feliz com a gentileza do capitão e amigo. O jogo em si seria entre o time de Valparaíso, Santiago Wanderers contra o Colo-Colo, que juntamente com a Universidad de Chile e a Universidad Católica eram considerados os três grandes do país.

Darwin, em seus anos de exploração pela América do Sul, tinha visto jogos de futebol em outros países do continente. Na Argentina se impressionou com a paixão da torcida do país em jogos do Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing, San Lorenzo, Estudiantes de La Plata, Rosario Central e Newell ‘s Old Boys entre outros clubes. Inclusive,ele acabou adotando o Central e um pequeno clube de Buenos Aires de nome Atlanta como seus clubes argentinos. Os dois tinham como coincidência as mesmas cores do seu Shrewsbury Town, azul e amarelo.

Esse mesmo sentimento veio ao presenciar os jogos no país vizinho Uruguai. No clássico do país entre Peñarol e Nacional,ele pode comprovar toda a paixão e fanatismo da torcida uruguaia.

Mas foi no Brasil que não só a paixão, mas a técnica, dos jogadores chamaram a atenção de Darwin.

As cores azul e amarelo da seleção brasileira logo o encantaram. E a técnica e ginga dos jogadores brasileiros, graças a miscigenação entre negros, indígenas e europeus, acenderamalgo que complementou as suas observações a respeito do meio em que os seres viviam.

Além de jogos da seleção do Brasil, Darwin presencioudisputas de vários clubes no país continental. Na Bahia, viu o Ba-Vi, clássico entre Bahia e Vitória, No Recife, assistiu aos jogos de Sport Recife, Santa Cruz e Náutico e, no Rio de Janeiro, se encantou com o Fla-Flu, jogo entre Flamengo e Fluminense, além de jogos do Vasco da Gama e Botafogo. Por conta do tempo e distância, não foi possível a ida a Minas Gerais para ver jogos do Atlético Mineiro, Cruzeiro e América Mineiro, e nem a São Paulo para assistir aembates entre Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Portuguesa.

Foi apenas a Santos, cidade litorânea com um dos principais portos do Brasil, ver o time local, o Santos Futebol Clube em um jogo contra o outro time da cidade, a Portuguesa Santista. 

Esse jogo acabou por encantar Darwin graças ao time espetacular do Santos com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nessa partida, o Rei Pelé fez 4 gols na goleada por 6 a 2, os dois outros foram marcados por Coutinho.

Após o jogo Darwin foi juntamente com Gay Capote falar com os jogadores do Santos e em especial com Pelé. Ao se aproximarem do vestiário, os dois viram Pelé saindo e o abordaram. Capone foi logo tecendo elogios.

— Meu caro Pelé, viemos de longe só para vê-lo jogar, me chamo Gay Capote e eu e meu amigo aqui, Charles Darwin. Ouvimosmuito falar do senhor, da sua técnica, genialidade e classe.

Pelé agradeceu o jornalista e curioso perguntou: — De onde vocês vieram, pelo sotaque percebo que são de outro continente, entende?

Darwin visivelmente impressionado respondeu: — Sim, majestade Rei Pelé, somos ingleses, estamos em uma missão de exploração científica e… Pelé interrompeu o jovem e disse: — Não precisa me tratar como vossa majestade, entende, fique tranquilo garoto, sou Pelé, o amigo Pelé para vocês, o Rei para vocês pode ser apenas o do país de vocês, a Inglaterra.

Darwin com o típico humor inglês respondeu a Pelé. — No nosso país não há um rei e, sim,uma jovem rainha, chamada Vitória. E bem que o senhor poderia se casar com ela e ir jogar no meu Shrewsbury Town.

Pelé, Capote e Darwin riram copiosamente e o momento ficou registrado com uma fotografia e duas camisas do Santos autografadas com a frase: muito obrigado do amigo Pelé.

Após a visita a Santos, Darwin ainda visitou o Rio Grande do Sul. Lá assistiu ao clássico mais feroz do Brasil, o Gre-Nal entre Grêmio e Internacional.

Após essa temporada no Cone Sul, o navio Beagle seguiu para um local que se tornaria fundamental para a teoria de Darwin, as Ilhas de Galápagos.

Era o ano de 1836, e, após observações de aves em cada uma das ilhas do arquipélago, ele percebeu especificidades características de cada ambiente e os seres vivos do local. Isso foi fundamental para formulação da teoria da seleção natural que ele iria propor posteriormente. Agora Darwin sentia que sua missão tinha sido cumprida, e que era o momento de voltar para casa, para sua cidade, família e para seu clube de futebol.

A viagem de volta durou longos dois meses. A epopeia que foi da Patagônia no extremo sul do continente sul-americano, passando pelos andes chilenos e peruanos até o Equador e finalmente à Ilha de Galápagos terminou. Ao aportarem em Londres, todos os tripulantes do Beagle foram recepcionados por familiares e amigos. Ao avistar a família, Charles Darwin foi logo abraçando e beijando as irmãs, no pai, deu um abraço ongo e caloroso. Quando chegou a vez do irmão Ras, o abraço foi junto com uma pergunta repleta de ansiedade: — Como está o nosso time irmão e quando será o próximo jogo? Todos gargalharam! 

O pai Robert Darwin logo o tranquilizou. — Fique tran - quilo, meu filho, o Shrewsbury passou por alguns apuros, mas sobreviveu.

Charles esboçou um sorriso amarelo e perguntou: — Estamos em qual divisão?

O irmão hesitou em responder, mas foi incentivado por Cathe - rine a dizer a real sobre a situação do time. — Estamos na League One irmão e…

Darwin esbravejou desesperado! — League One! Nesses quatro anos não saímos do lugar?!

Susan ironicamente brincou. — Saiu sim, Charles, foi parar na League Two.

Ao ouvir essa notícia, Darwin sentiu a pressão cair, mas não deixou de brincar com a informação da irmã. — Pelo menos eu não estava aqui, não sei se aguentaria essa situação. Todos riram!

Durante a viagem de Charles, as irmãs Catherine e Susan, que se correspondiam com o irmão, evitavam notícias mais detalhadas sobre o desempenho do Shrewsbury Town, diziam apenas que o time estava caminhando. Elas sabiam que o irmão caçula iria se deixar afetar pelo time e isso poderia comprometer a expedição.

Dias depois Charles teria dois compromissos. O primeiro seria reencontrar seu mestre, o botânico e naturalista John Stevens Henslow. Henslow tinha sido professor de Charles na Christ’sCollege, em Cambridge; o homem que o aconselhou a embarcar na viagem no HMS Beagle. O outro seria encontrar com Ras para irem ao jogo do Shrewsbury Town no New Meadow contra o Burton Albion.

Enquanto atravessava os suntuosos portões da Universidade de Cambridge, um filme passou na cabeça de Charles. Sua desistência do curso de medicina por constatar falta de vocação, seu início no curso de artes a fim de cumprir com um desejo do pai de se tornar um clérigo da Igreja anglicana, até suas pesquisas com animais invertebrados e as fugas das aulas para acompanhar aos jogos do Shrewsbury. 

Ao chegar na sala do professor Henslow,a emoção tomou conta dos dois no reencontro e o professor fez as honras da casa cumprimentando o jovem. — Meu caro Charles, feliz em revê-lo e ansioso em saber sobre suas aventuras nos trópicos. — Também fico feliz em revê-lo, tenho muito o que contar, e um diário com anotações minuciosas para lhe mostrar. Disse o jovem. O rapaz explicou sobre suas observações, detalhou a sua teoria formada a partir da coleta de diversas formas de vida ao redor do mundo, obtendo assim uma melhor compreensão das mudanças ocorridas nas espécies. Além disso fez apontamentos geológicos e também coletou fósseis. Isso permitiu observar a suposta evolução que as espécies teriam sofrido no decorrer do tempo.

O professor lia e ao mesmo tempo ouvia o rapaz explanar toda a sua teoria. Mas houve algo curioso que chamou sua atenção, o uso do futebol como metáfora para explicar sobre as especificidades e características do povo em relação ao jogo. Os argentinos e uruguaios, ele dizia que tinha um jogo mais de “braveza”, porém sem perder o toque de bola e a técnica, muito por conta da influência inglesa, já os andinos tinham um jogo mais aguerrido, os chilenos, peruanos e bolivianos tinham em sua grande parte a influência e histórico indígena, algo ligado a batalhas, o que se aplicava também aos paraguaios. Já os brasileiros tinham o dom do improviso, muito por conta da miscigenação entre os negros, indígenas e europeus.

Isso de certa forma se aplicava também aos colombianos, equatorianos e, em menor escala,os venezuelanos. Tudo isso para Charles era também influência do local de cada país, o clima e etimologia.

Henslow interrompeu Charles apenas para dizer: — Isso tudo foi por conta da saudade do Shrewsbury Town, meu caro?

Charles sorriu e disse: — Muito disso, sim, foi a saudade que me fez realizar essas observações. Além, é claro, da própria pesquisa de campo. O professor logo alertou: — Falando em campo meu caro Charles, não está na hora de você reencontrar o seu time, acho que ele joga hoje, não? 

O rapaz surpreso perguntou: — Como o senhor sabe do jogo de hoje?

O professor apenas apontou para a janela atrás do rapaz. Ao olhar, ele viu seu irmão Ras no jardim. — Eu me lembro até hoje das suas fugas, meu caro. Para ir assistir aos jogos do time. Sempre que o Ras estava no jardim, sabia que era para lhe aguardar para irem juntos ao estádio.

O jovem apenas se levantou, cumprimentou o professor e foi ao encontro do irmão que o aguardava. Ao se aproximar de Ras, o irmão mais velho lhe estendeu uma camisa. Era a camisa favorita de Charles, a camisa que o acompanhava em todos os jogos do Shrewsbury Town.

Ao chegarem na porta do New Meadow, a emoção tomou conta de Charles. Todos vestidos de azul e amarelo, os cânticos, os pubs lotados, tudo isso trouxe uma felicidade plena para o jovem naturalista que estava longe daquele local há 4 anos.

O jogo contra o Burton Albion se desenhou fácil. Parecia que o Shrewsbury queria homenagear Charles Darwin e sua ausência durante longos 4 anos. O placar final de 4 a 0 além de lavar a alma de Charles foi simbólico, um gol para cada ano longe de casa, longe da torcida e do time do coração.

Os anos seguintes de Charles Darwinse desenrolaramentre mudanças na sua vida pessoal e realizações na profissão. Em 1839 o seu casamento com Emma Wedgwood, sua prima de primeiro grau; em 1842, com o lançamento de “Viagem de Beagle”, diário de relato de sua viagem pelos trópicos. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo em que ele acompanhava fanaticamente a saga do Shrewsbury. No ano de 1845, a grande alegria de Charles com o Shrewsbury. Após uma campanha irretocável, o time venceu a Copa da Liga Inglesa após bater no caminho times como Oldham, Bristol Rovers, o rival Hereford United após um revés de 0 a 3 no primeiro tempo para um épico 4 a 3 no segundo tempo, a vitória histórica sobre um gigante do futebol inglês Manchester United por 1 a 0 nas semifinais e a final inesquecível contra o Blackburn Rovers por 2 a 1.

Essa alegria era da mesma dimensão que a do nascimento de um filho. Mas dois fatos abalaram profundamente a alma de Charles. Sua filha primogênita chamada Annie faleceu precoce - mente no ano de 1849 aos 10 anos. Isso abalou tanto sua esposa Emma e ele, levando-o a perder a crença em Deus e o afastando da igreja a partir daquele fato.

Já em 1851 uma derrota amarga para um outro rival, o Ches - ter City, culminou com a perda do título da Welsh Cup. Já não bastasse essa derrota no ano de 1852 o time acabou rebaixado para a League Two.

Charles Darwin se recolheu nos anos seguintes aos estudos e a maior dedicação à família. Sua reclusão o fez ir menos ao New Meadow, mas um fato mudou sua condição.

Em 1858, Darwin recebeu uma carta de Alfred Russel Wallace, naturalista que tinha formulado teoria semelhante a dele. Ao saber disso, Darwin enviou seu trabalho aos amigos e cientistas Charles Lyell, Joseph Hooker e Asa Grau. Com isso os amigos o aconselharam a escrever e apresentar seu livro ao mesmo tempo que Russel. Darwin precisava de um incentivo e, no fundo,sabia onde buscar. Ele se levantou da cadeira de seu escritório e rumou para o New Meadow, naquela noite seria jogado a partida decisiva do Shrewsbury. O jogo seria contra o Salford City, e valeria uma vaga para o acesso a League One. 

Depois de muitos anos, Charles estaria ao lado do seu irmão Ras, tradição que eles retomavam.

Mas para surpresa dele, ao chegar na porta do estádio, ele foi surpreendido pelas presenças das irmãs Catherine, Susan, Marianne, Emily Catherine e os amigos Robert FitzRoy e Gay Capote. Eles tinham uma faixa com o escrito: Bobby, seu coração se afastou fisicamente por uns tempos, mas em sentimento sempre esteve aqui nesse estádio. Bobby era o apelido de infância de Charles. Essas palavras o emocionaram e foram determinantes para a obra que ele iria escrever. Já o Shrewsbury fez sua parte motivacional para Charles Darwin, venceu por 3 a 1 de virada e conquistou o acesso.

O ano de 1859 foi determinante para Darwin. Tanto suas ideias quanto as de Russel foram apresentadas à Sociedade Lineana de Londres. Após ser aprovado, foi lançado meses depois o “Origem das espécies por meio da seleção natural”. Sua teoria foi aceita por parte da comunidade científica. Houve também críticas por parte dos cristãos e criacionistas, que consideraram a obra uma heresia. Isso não impediu o sucesso de vendas da obra.

E sua teoria da seleção natural virou o mundo científico de ponta cabeça. Nela Darwin propôs que a evolução aconteceria graças à seleção natural, ou seja, os seres vivos, a todo tempo, estariam lutando para sobreviver no meio ambiente.O meio seleciona o organismo mais apto a sobreviver em determinado ambiente. livro ganhou seis edições seguintes, em 1861, 1867, 1873, 1876 e 1881, todo esse sucesso caminhou junto com os resultados do Shrewsbury Town. Logo em 1862 o time conquistou a Welsh Cup após uma vitória sobre o Chester City.Esseresultado de 2 a 0 na final foi a vingança pela derrota 11 anos antes. Já em 1868 o time conseguiu o acesso para a Championship, segunda divisão inglesa. Por lá permaneceu até o ano de 1875. Àquelaaltura, Charles já era um cientista consagrado, e um idoso de 66 anos. 

Sua última alegria foi no dia 15 de abril de 1882, uma vitória por 5 a 0 contra o Preston North End pela Copa da Inglaterra. Charles Darwin acabou falecendo 4 dias depois, dia 19 de abril de 1882 aos 73 anos, por conta de um infarto. A emoção na vitória talvez tenha sido forte demais. 

Seu amado Shrewsbury acabou caindo naquele mesmo dia por 4 a 2 contra o Sheffield Wednesday, parecia impossível vencer sem seu torcedor mais ilustre e apaixonado, que mudou a história do próprio homem e sua condição na natureza.

Clayton Fagundes Cardoso 

Jornalista da cidade de São Paulo, Brasil. Com trabalhos na Revista Corner e também no Youtube, tem uma página no Instagram chamada Futebol geek (@futebolgeek), onde fala de futebol,cultura pop, música e todas as suas convergências.Lançou no fim de 2020 Da Vinci e a Santa Seleção, livro de contos onde ele faz um exercício imaginativo caso grandes personagens como, Leonardo Da Vinci, Miguel de Cervantes, William Shakespeare, e outros grandes nomes da história tivessem o futebol nas suas épocas para quais times eles torceriam. Em 2023 lançou no formato digital os contos spin off Da Vinci e a Santa Renascença e Cervantes e os Fabulosos jogos do Atlético de Madrid.     


Charles Darwin y su otra selección: Shrewsbury Town F.C.

Este relato se publicó originalmente en el libro “Darwin y la Otra Selección” en São Paulo, 2025.

Océano, 13 de agosto de 1835.

La noche anterior en alta mar había sido difícil. El HMS Beagle, un velero de la Marina Real Británica, sufrió daños en su casco durante una furiosa tormenta, estando a punto de hundirse cerca de la costa de Valparaíso, ciudad costera de Chile. La llegada al puerto de la ciudad chilena fue posible gracias a la competencia de su capitán, Robert FitzRoy, pionero en el campo de la meteorología de precisión.

Al atracar en el país andino, Robert reunió inmediatamente a su tripulación. Entre marineros inquietos y un periodista llamado Gay Capote, encargado de enviar información de la expedición a la capital, se encontraba un joven naturalista de 26 años llamado Charles Darwin.

Darwin estaba a bordo del barco con la misión de ser el asesor científico de la expedición, realizando observaciones geológicas y recolectando diversas formas de vida. El capitán se aseguró de hablar con cada uno de sus subordinados. Tras su encuentro con Capote, Darwin fue llamado para hablar con el capitán. El joven se dirigió rápidamente al camarote. Al llegar, Robert le preguntó de inmediato: —¿Tenías miedo por nuestro destino esta noche, Darwin?-, preguntó Robert, mirándolo a los ojos.

El joven respondió con firmeza: —En absoluto, capitán. Siempre tuve la confianza de que nos guiaría a tierra firme sanos y salvos-.

Las palabras de Darwin agradaron a Robert, quien le devolvió la amabilidad con un halago. —Lo mismo digo de tu trabajo, amigo mío. Sé que tus observaciones sobre la vasta naturaleza que estamos descubriendo serán esenciales para los estudios y para la posteridad.

Darwin se sentó y permaneció en silencio, casi en trance. —¿En qué piensas, amigo mío? —le preguntó Robert a Darwin.

—Pensaba que llevamos cuatro años lejos de nuestra tierra en esta expedición. Siempre me escribo con mis hermanas Catherine y Susan para hablar de mis gastos en estas tierras lejanas y de cuánto extraño a mi familia. Darwin era uno de los seis hijos de Robert Waring Darwin, un respetado médico, y Susannah Wedgwood, hija de un rico industrial de la cerámica. Además de Catherine y Susan, hermanas que asumieron el papel de madres del pequeño Charles tras la prematura muerte de su madre Susannah cuando el niño tenía solo ocho años, Marianne, Emily Catherine y su único hermano, Erasmus, cariñosamente apodado Ras, formaban la familia de Darwin.

El capitán Robert, escuchando atentamente las palabras de Darwin sobre su familia, sabía que la añoranza del joven naturalista iba más allá de lo familiar.

—Bueno, amigo Darwin, sé que además de extrañar nuestro país y a tu familia, tienes un deseo terrible de ver jugar a cierto equipo de fútbol de Shrewsbury, ¿verdad?

Darwin, mirando al capitán, simplemente sonrió y dijo: —Sí, amigo, extraño ir con Ras a nuestro estadio ‘New Meadow’ a ver jugar al Shrewsbury Town-. El capitán Robert sabía que, además de la curiosidad por el mundo y la pasión por la naturaleza, Charles compartía con su hermano la pasión por el club de su ciudad natal.

—Me lo imaginaba, querido amigo. ¡Yo también extraño a mi Ipswich Town! Pero tengo una invitación que hacerte; sé que no llenará por completo el vacío que dejamos al añorar nuestros clubes, pero será una agradable distracción.

Charles Darwin, curioso por naturaleza, preguntó de inmediato de qué se trataba. Y el capitán Robert FitzRoy dijo: —Bueno, amigo, vamos a un partido de fútbol entre el equipo local y uno de los grandes equipos del país.

Darwin se alegró de la amabilidad de su capitán y amigo. El partido sería entre el equipo de Valparaíso, Santiago Wanderers, y Colo-Colo, que, junto con la Universidad de Chile y la Universidad Católica, eran considerados los tres equipos más importantes del país.

Darwin, durante sus años de exploración por Sudamérica, había visto partidos de fútbol en otros países del continente. En Argentina, le impresionó la pasión de la afición en los partidos de Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing, San Lorenzo, Estudiantes de La Plata, Rosario Central y Newell’s Old Boys, entre otros clubes. De hecho, terminó adoptando a Central y a un pequeño club de Buenos Aires llamado Atlanta como sus equipos argentinos. Casualmente, ambos compartían los mismos colores que su Shrewsbury Town: azul y amarillo.

Sintió lo mismo al presenciar partidos en el vecino Uruguay. En el clásico entre Peñarol y Nacional, pudo comprobar de primera mano toda la pasión y el fanatismo de la afición uruguaya.

Pero fue en Brasil donde no solo la pasión, sino también la técnica de los jugadores, captó la atención de Darwin.

Los colores azul y amarillo de la selección brasileña lo cautivaron de inmediato. Y la técnica y el talento de los jugadores brasileños, fruto del mestizaje entre personas negras, indígenas y europeas, despertaron en él una chispa que complementaba sus observaciones sobre el entorno en el que vivían los seres humanos.

Además de los partidos de la selección brasileña, Darwin presenció encuentros de varios clubes del país. En Bahía, vio el clásico entre Bahía y Vitória. En Recife, asistió a los partidos de Sport Recife, Santa Cruz y Náutico, y en Río de Janeiro, quedó fascinado con el partido entre Flamengo y Fluminense, así como con los encuentros de Vasco da Gama y Botafogo. Por falta de tiempo y distancia, no fue posible viajar a Minas Gerais para ver los partidos de Atlético Mineiro, Cruzeiro y América Mineiro, ni a São Paulo para presenciar los enfrentamientos entre Corinthians, Palmeiras, São Paulo y Portuguesa.  

Solo en Santos, ciudad costera con uno de los principales puertos de Brasil, vi al equipo local, Santos Futebol Clube, jugar contra el otro equipo de la ciudad, Portuguesa Santista.

Este partido acabó cautivando a Darwin gracias al espectacular equipo del Santos, con Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé y Pepe. En ese encuentro, el Rey Pelé marcó cuatro goles en la goleada de 6-2; los otros dos fueron obra de Coutinho.

Tras el partido, Darwin fue con Gay Capote a hablar con los jugadores del Santos, y en especial con Pelé. Al acercarse al vestuario, vieron a Pelé salir y se acercaron a él. Capote inmediatamente comenzó a colmarlo de halagos.

—Mi querido Pelé, hemos venido desde muy lejos solo para verte jugar. Me llamo Gay Capote y mi amigo es Charles Darwin. Hemos oído hablar mucho de ti, de tu técnica, tu genialidad y tu clase-.

Pelé agradeció al periodista y preguntó con curiosidad: —¿De dónde eres? Por tu acento, puedo decir que eres de otro conti - nente, ¿entiendes?

Darwin, visiblemente impresionado, respondió: — Sí, Su Majestad, Rey Pelé, somos ingleses, estamos en una misión de exploración científica y…Pelé interrumpió al joven y dijo: —No hace falta que me llames Su Majestad, ¿entiendes? Tranquilo, muchacho, soy Pelé, tu amigo Pelé. El rey para ti solo puede ser el de tu país, Inglaterra.

Darwin, con su típico humor inglés, le respondió a Pelé: — En nuestro país no hay rey, sino una joven reina llamada Victoria. Y bien podrías casarte con ella e ir a jugar para mi Shrewsbury Town.

Pelé, Capote y Darwin rieron a carcajadas, y el momento quedó inmortalizado en una fotografía y dos camisetas del Santos autografiadas con la frase: “Muchas gracias de tu amigo Pelé”.

Tras la visita a Santos, Darwin también visitó Rio Grande do Sul. Allí presenció el clásico más emocionante de Brasil, el Gre-Nal entre Grêmio e Internacional.

Tras esta temporada en el Cono Sur, el barco Beagle zarpó hacia un lugar que se convertiría en fundamental para la teoría de Darwin: las Islas Galápagos.

Era el año 1836, y después de observar las aves en cada una de las islas del archipiélago, Darwin notó características específicas de cada entorno y de los seres vivos que lo habita - ban. Esto fue fundamental para la formulación de la teoría de la selección natural que posteriormente propondría. Darwin sintió entonces que su misión había concluido y que era hora de regresar a casa, a su ciudad, a su familia y a su club de fútbol.

El viaje de regreso duró dos largos meses. La épica travesía que partió de la Patagonia, en el extremo sur del continente sudameri - cano, pasando por los Andes chilenos y peruanos hasta Ecuador y finalmente a las Islas Galápagos, llegó a su fin. Al llegar a Londres, todos los miembros de la tripulación del Beagle fueron recibidos por familiares y amigos. Al ver a su familia, Charles Darwin abrazó y besó inmediatamente a sus hermanas y le dio a su padre un largo y cálido abrazo. Cuando le tocó el turno a su hermano Ras, el abrazo vino acompañado de una pregunta ansiosa: —¿Cómo va nuestro equipo, hermano? ¿Cuándo es el próximo partido? ¡Todos rieron!

Su padre, Robert Darwin, lo tranquilizó rápidamente. —No te preocupes, hijo, Shrewsbury pasó por momentos difíciles, pero salió adelante.”

Charles esbozó una débil sonrisa y preguntó: —¿En qué divi - sión estamos?

Su hermano dudó en responder, pero Catherine lo animó a contar la verdad sobre la situación del equipo. —Estamos en la Liga Uno, hermano, y…-.

Darwin exclamó con desesperación: —Liga Uno ¡Primera División! ¿En estos cuatro años no hemos avanzado ni un ápice?”

Susan bromeó con ironía. —Sí, Charles, fueron a parar a Segunda División.

Al oír esto, Darwin sintió que la presión disminuía, pero no pudo evitar bromear sobre la información de su hermana. —Al menos yo no estaba aquí, no sé si podría manejar esta situación. ¡Todos rieron!

Durante el viaje de Charles, sus hermanas Catherine y Susan, que se carteaban con él, evitaron darle más detalles sobre el desempeño del Shrewsbury Town, limitándose a decir que el equipo estaba progresando. Sabían que su hermano menor se vería afectado por el equipo y que esto podría comprometer la expedición.

Días después, Charles tendría dos citas. La primera sería con su mentor, el botánico y naturalista John Stevens Henslow. Henslow había sido profesor de Charles en el Christ’s College de Cambridge; El hombre que le aconsejó embarcarse en el HMS Beagle. El otro plan era reunirse con Ras para ir al partido del Shrewsbury Town en New Meadow contra el Burton Albion.

Al cruzar las suntuosas puertas de la Universidad de Cambridge, una película se desplegó en la mente de Charles. Su abandono de la facultad de medicina por falta de vocación, sus inicios en la carrera de artes para cumplir el deseo de su padre de convertirse en clérigo de la Iglesia Anglicana, su investigación con animales invertebrados y sus escapadas de clase para asistir a los partidos del Shrewsbury.

Al llegar al despacho del profesor Henslow, la emoción embargó a ambos por el reencuentro, y el profesor tuvo el honor de darles la bienvenida. —Querido Charles, me alegra verte de nuevo y estoy deseando escuchar sobre tus aventuras en el trópico. —Yo también me alegro de verte de nuevo. Tengo mucho que contarte y un diario con anotaciones meticulosas para enseñarte- dijo el joven, que explicó sus observaciones, detallando su teoría, elaborada a partir de la recolección de diversas formas de vida alrededor del mundo, lo que le permitió comprender mejor los cambios que se produjeron en las especies. También tomó notas geológicas y recolectó fósiles. Esto le permitió observar la evolución que las especies habían sufrido a lo largo del tiempo.

El profesor leyó y escuchó al joven explicar su teoría. Pero algo curioso llamó su atención: el uso del fútbol como metáfora para explicar las particularidades y características de los pueblos en relación con este deporte. Dijo que los argentinos y uruguayos tenían un juego más “valiente”, pero sin perder el control del balón ni la técnica, debido en gran parte a la influencia inglesa; los andinos tenían un juego más combativo; y los chilenos, peruanos y bolivianos tenían una marcada influencia e historia indígena, algo vinculado a las batallas, lo cual también se aplicaba a los paraguayos. Los brasileños, por otro lado, tenían un don para la improvisación, en gran parte debido al mestizaje entre los pueblos negros, indígenas y europeos.

Esto también se aplicaba, en cierto modo, a los colombianos, ecuatorianos y, en menor medida, a los venezolanos. Para Charles, todo esto era influenciado por la ubicación, el clima y la etimología de cada país.

Henslow interrumpió a Charles solo para decir: —¿Todo esto se debía a la nostalgia por Shrewsbury Town, estimado señor?

Charles sonrió y dijo: —Sí, en gran parte. Fue la nostalgia lo que me llevó a hacer estas observaciones. Además, por supuesto, del propio trabajo de campo. El profesor advirtió rápidamente: —Hablando del trabajo de campo, estimado Charles, ¿no es hora de que vuelvas a ver a tu equipo? Creo que juegan hoy, ¿no?

El joven, sorprendido, preguntó: —¿Cómo sabe usted del partido de hoy?

El profesor simplemente señaló la ventana detrás del joven. Al mirar, vio a su hermano Ras en el jardín. —Aún recuerdo tus escapadas, querido. Para ir a ver los partidos del equipo. Siempre que Ras estaba en el jardín, sabía que era para esperarlo y que pudieran ir juntos al estadio.

El joven se levantó, saludó al profesor y fue a encontrarse con su hermano, que lo esperaba. Al acercarse a Ras, su hermano mayor le entregó una camiseta. Era la camiseta favorita de Charles, la que lo acompañaba a todos los partidos del Shrewsbury Town.

Al llegar a las puertas de New Meadow, la emoción embargó a Charles. Todos vestidos de azul y amarillo, los cánticos, los pubs abarrotados: todo aquello le produjo una inmensa felicidad al joven naturalista, que llevaba cuatro años lejos de aquel lugar.

El partido contra el Burton Albion transcurrió sin contratiem - pos. Parecía que Shrewsbury quería honrar a Charles Darwin y su ausencia durante cuatro largos años. El resultado final de 4-0, además de purificar el alma de Charles, fue simbólico: un gol por cada año lejos de casa, lejos de la afición y del equipo de sus sueños.

Los años siguientes de Charles Darwin transcurrieron entre cambios en su vida personal y logros profesionales. En 1839 contrajo matrimonio con Emma Wedgwood, su prima hermana; en 1842, publicó “El viaje del Beagle”, un diario que narraba su travesía por los trópicos. Todo esto ocurría al mismo tiempo que él seguía con fervor la saga de Shrewsbury. En 1845, Charles vivió una inmensa alegría: tras una campaña impecable, el equipo ganó la Copa de la Liga Inglesa. Después de vencer a equipos como el Oldham, el Bristol Rovers, su rival, el Hereford United, tras una derrota por 0-3 en la primera parte y una épica victoria por 4-3 en la segunda, la histórica derrota de un gigante del fútbol inglés, el Manchester United, por 1-0 en las semifinales, y la inolvidable final contra el Blackburn Rovers por 2-1.

Esta alegría fue tan grande como el nacimiento de un hijo. Pero dos acontecimientos conmovieron profundamente a Charles. Su primogénita, Annie, falleció prematuramente en 1849 a los 10 años. Esto afectó profundamente a su esposa Emma y a él, llevándolo a perder la fe en Dios y a alejarse de la iglesia a partir de entonces.

En 1851, una amarga derrota ante otro rival, el Chester City, culminó con la pérdida de la Copa de Gales. Por si esa derrota no fuera suficiente, en 1852 el equipo descendió a la Segunda División.

En los años siguientes, Charles Darwin se retiró a sus estudios y a dedicarse más a su familia. Su reclusión hizo que frecuentara menos New Meadow, pero un acontecimiento cambió su situación.

En 1858, Darwin recibió una carta de Alfred Russel Wallace, un naturalista que había formulado una teoría similar a la suya. Al enterarse de esto, Darwin envió su trabajo a sus amigos y científicos Charles Lyell, Joseph Hooker y Asa Grau. Sus amigos le aconsejaron que escribiera y presentara su libro al mismo tiempo que Russel. Darwin necesitaba ánimos y, en el fondo, sabía dónde encontrarlos. Se levantó de su silla de oficina y se dirigió a New Meadow; esa noche se jugaría el partido decisivo del Shrewsbury. Era contra el Salford City, y estaba en juego un puesto en la League One. Después de muchos años, Charles estaría junto a su hermano Ras, una tradición que retomaban.

Pero para su sorpresa, al llegar a las puertas del estadio, se encontró con la presencia de sus hermanas Catherine, Susan, Marianne, Emily Catherine y sus amigos Robert FitzRoy y Gay Capote. Llevaban una pancarta que decía: “Bobby, tu corazón ha estado físicamente lejos por un tiempo, pero en el sentimiento siempre ha estado aquí, en este estadio”. Bobby era el apodo de Charles en su infancia. Estas palabras lo conmovieron y fueron cruciales para la obra que escribiría. El partido contra Shrewsbury, que supuso una gran motivación para Charles Darwin, terminó con una remontada espectacular por 3-1, asegurando así el ascenso.

l año 1859 fue decisivo para Darwin. Tanto sus ideas como las de Russell fueron presentadas a la Sociedad Linneana de Londres. Tras su aprobación, “El origen de las especies por medio de la selección natural” se publicó meses después. Su teoría fue aceptada por parte de la comunidad científica. Sin embargo, también recibió críticas de cristianos y creacionistas, quienes consideraron la obra una herejía. Esto no impidió el éxito de ventas del libro.

Su teoría de la selección natural revolucionó el mundo científico. En ella, Darwin decía que la evolución se producía gracias a la selección natural; es decir, que los seres vivos lucharían constantemente por sobrevivir en el entorno. El entorno selecciona al organismo mejor adaptado para sobrevivir en un momento determinado. El libro tuvo seis ediciones posteriores, en 1861, 1867, 1873, 1876 y 1881. Todo este éxito estuvo estrechamente ligado a los resultados del Shrewsbury Town. Poco después, en 1862, el equipo ganó la Copa de Gales tras vencer al Chester City. Este resultado de 2-0 en la final fue una revancha por la derrota sufrida 11 años antes. En 1868, el equipo logró ascender al Championship, la segunda división inglesa, donde permaneció hasta 1875. Para entonces, Charles ya era un científico de renombre y un anciano de 66 años.

Su última alegría fue el 15 de abril de 1882, una victoria por 5-0 contra el Preston North End por la Copa de Inglaterra. Charles Darwin falleció cuatro días después, el 19 de abril de 1882, a los 73 años, a causa de un infarto. La emoción de la victoria quizás fue demasiado intensa. 

Su querido Shrewsbury acabó cayendo ese mismo día por 4-2 ante el Sheffield Wednesday; parecía imposible ganar sin su hincha más ilustre y apasionado, quien cambió la historia de la humanidad y su relación con la naturaleza.

Clayton Fagundes Cardoso 

Periodista de São Paulo, Brasil. Colabora con Corner Magazine y también tiene presencia en YouTube. En Instagram, cuenta con la cuenta Futebol geek (@futebolgeek), donde habla de fútbol, cultura pop, música y sus interrelaciones. A finales de 2020 publicó “Da Vinci y la Santa Selección”, un libro de relatos cortos donde explora cómo sería si grandes figuras como Leonardo da Vinci, Miguel de Cervantes, William Shakespeare y otros nombres de la historia hubieran tenido fútbol en su época, y a qué equipos apoyarían. En 2023, publicó en formato digital los relatos derivados “Da Vinci y el Sacro Renacimiento” y “Cervantes y los Fabulosos Juegos del Atlético de Madrid”.