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Por: Sylvia Moretzsohn
Inteligência artificial e emoções humanas
Nada mais atual e ao mesmo tempo tão controverso como o tema da I.A. como se chama já familiarmente, e até com um certo afeto, à Inteligência Artificial.
Neste artigo, do qual vou reproduzir alguns trechos, Sylvia Moretzsohn comenta em detalhes uma visão que muitos poderão achar talvez pouco relevante, e por isso ignoram, que é a da relação entre o “software” dos nossos conhecimentos e experiências -que aos poucos vamos entregando à I.A.- e as reações emocionais que as nossas experiências nos levam a acumular ao longo de uma vida (JV).
AO VENCEDOR, O DESERTO
“Inteligência artificial degenerativa” nos conduz ao mais radical processo de alienação e precisa ser controlada em nome da sobrevivência da espécie.
Sylvia Debossan Moretzsohn. Come Ananás, out 16, 2025
“Há seis anos começaram a circular vídeos que mostravam como as deepfakes eram viáveis e se tornavam cada vez mais verossímeis, como este que abria com uma suposta declaração do ex-presidente Barack Obama, na verdade manipulada digitalmente. Hoje se multiplicam exemplos de estímulo à criação dessas deepfakes. Este aqui, inicialmente, aparenta ser crítico, com o apelo a que as pessoas “questionem o que estão vendo” – como se tivessem tempo, meios e capacidade para fazer esse discernimento –, mas a sequência mostra que é o contrário disso: “Verifiquem no que vocês acreditam e sigam o que vocês quiserem”. Porque, é claro, a verdade é o que eu quero que seja.
“É o ápice do relativismo que, durante décadas, surgiu como potencialmente – e enganosamente – revolucionário, por aparentar a contestação de ordem instituída, real ou supostamente excludente e opressora, e que, agora, constitui o também enganoso mote da extrema-direita pelo mundo. Comandada pelos ‘overlords’ das big techs, a tecnologia que propicia essa indistinção entre realidade e ficção fomenta o estado de permanente incerteza que favorece a erosão do chão comum essencial para qualquer debate racional que permita situarmo-nos no mundo e facilita a manipulação das piores emoções a partir da mobilização de crenças e preconceitos ancestralmente enraizados.
(...)
“Na entrevista ao Roda Viva, o neurocientista Miguel Nicolelis lembrou que, quando lançou o robô Eliza, ‘avó do ChatGPT’, o cientista da computação Joseph Weizenbaum, logo percebeu a relação de dependência que seus alunos e mesmo sua secretária passaram a desenvolver em relação a esse mecanismo, conversando com ele como se houvesse uma pessoa do outro lado. Percebeu que havia uma tendência a antropomorfizar o sistema, simplesmente porque Eliza supria uma das maiores carências da humanidade no mundo contemporâneo: a necessidade de ter um interlocutor. Eliza ouvia as pessoas e elas se sentiam acolhidas (Será por isso que tanta gente vem recorrendo a modelos de IA generativa para fazer terapia: é de graça e é mais fácil, basta apertar um botão. É uma tragédia, mas isso é outra história).
Nicolelis disse que Weizenbaum tentou, sem sucesso, alertar para a impossibilidade de prosseguir com aquele tipo de experimento, por um imperativo ético categórico: “há áreas em que não podemos penetrar”.
No entanto, continuamos avançando, sem limites, sem qualquer constrangimento. O resultado é a progressiva delegação de tarefas intelectuais à máquina. Nicolelis citou o exemplo de recente pesquisa no MIT que demonstrou que 80% dos jovens do grupo testado para escrever redações com o auxílio do ChatGPT não se lembravam do que haviam escrito e, pior, quando lhes mediram a atividade elétrica do cérebro, ‘tinham 50% menos de atividade cortical, ou seja, não estavam pensando, estavam no automático’.
(...)
“Agora pensemos nas gerações que estão chegando. As ‘nativas digitais’, estimuladas desde antes de começarem a falar a se distrair nas telas de um celular. O cérebro acostumando-se a rolar as telas ininterruptamente, sem se fixar em nada.
A ‘economia da atenção’ que é, de fato, a economia da dispersão: o adestramento para assistir a vídeos em sequência, vídeos cada vez mais curtos, que mesmo assim nem chegam ao fim porque são interrompidos por publicidade, o cérebro levando esses golpes sistemáticos e habituando-se a isso, tornando-se incapaz de ter paciência para se concentrar no que quer que seja”.
“Se isso já afeta quem se formou no mundo analógico, que dirá quem está chegando agora”.
Sylvia Moretzsohn
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981), com mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (2000) e doutorado em Serviço Social pela UFRJ (2006). Professora de jornalismo no Departamento de Comunicação Social da UFF, aposentada no segundo semestre de 2016. Foi colaboradora regular do Observatório da Imprensa, site de crítica de mídia (2012-2015). É pesquisadora do ObjETHOS, Observatório da Ética Jornalística, projeto do Departamento de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, e do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo (Nupejor - UFRGS/ CNPq). Desenvolveu pesquisas sobre jornalismo e questão social, jornalismo e criminologia, mundo do trabalho dos jornalistas, ética jornalística e as transformações e dilemas do jornalismo no contexto das novas tecnologias. Atualmente, na pesquisa de pós-doutorado iniciada em novembro de 2018 na Universidade do Minho, dedica-se a averiguar a dinâmica da formação de crenças e convicções nas bolhas virtuais e as dificuldades e possibilidades do jornalismo nesse contexto
Inteligencia artificial y emociones humanas
Nada es más actual y, a la vez, más controvertido que el tema de la IA, como se denomina ahora familiarmente, e incluso cariñosamente, a la Inteligencia Artificial.
En este artículo, del que reproduciré algunos extractos, Sylvia Moretzsohn analiza en detalle una perspectiva que muchos quizás consideren irrelevante y, por lo tanto, ignoren: la relación entre el “software” de nuestros conocimientos y experiencias —que gradualmente entregamos a la IA— y las reacciones emocionales que nuestras experiencias nos llevan a acumular a lo largo de la vida (JV).
AL VENCEDOR, EL DESIERTO.
La “inteligencia artificial degenerativa” nos conduce al proceso más radical de alienación y debe ser controlada para la supervivencia de la especie.
Sylvia Debossan Moretzsohn. Come Ananás, 16 de octubre de 2025
“Hace seis años, comenzaron a circular videos que mostraban cómo los deepfakes eran viables y se volvían cada vez más creíbles, como este que comenzaba con una supuesta declaración del expresidente Barack Obama, en realidad manipulada digitalmente. Hoy en día, se multiplican los ejemplos que fomentan la creación de estos deepfakes. Este inicialmente parece crítico, instando a las personas a “cuestionar lo que ven” —como si tuvieran el tiempo, los medios y la capacidad para discernir—, pero la secuencia muestra lo contrario: “Comprueba lo que crees y sigue lo que quieres”. Porque, por supuesto, la verdad es lo que yo quiero que sea.
Es el colmo del relativismo que, durante décadas, se presentó como potencialmente —y engañosamente— revolucionario, al parecer que desafiaba un orden establecido, ya fuera real o supuestamente excluyente y opresivo, y que ahora constituye el lema igualmente engañoso de la extrema derecha en todo el mundo. Dirigida por los “señores” de las grandes tecnológicas, la tecnología que permite esta difuminación de la realidad y la ficción fomenta un estado de incertidumbre permanente que favorece la erosión de los puntos en común esenciales para cualquier debate racional que nos permita situarnos en el mundo y facilita la manipulación de las peores emociones mediante la movilización de creencias y prejuicios ancestralmente arraigados.
(...)
“En la entrevista en Roda Viva, el neurocientista Miguel Nicolelis recordó que cuando lanzó el robot Eliza, ‘la abuela de ChatGPT’, el científico de la computación Joseph Weizenbaum, se dio cuenta rápidamente de la dependencia que sus estudiantes e incluso su secretaria empezaron a desarrollar con respecto a este mecanismo, conversando con él como si hubiera una persona al otro lado. Se dio cuenta de que había una tendencia a antropomorfizar el sistema, simplemente porque Eliza satisfacía una de las mayores necesidades de la humanidad en el mundo contemporáneo: la necesidad de tener un interlocutor. Eliza escuchaba a las personas y estas se sentían atendidas (¿Es por eso que tanta gente recurre a modelos de IA generativa como terapia? Es gratis y más fácil, solo hay que pulsar un botón. Es una tragedia, pero esa es otra historia).
“Nicolelis dijo que Weizenbaum intentó, sin éxito, advertir sobre la imposibilidad de proceder con ese tipo de experimento, debido a un imperativo ético categórico: ‘hay áreas en las que no podemos penetrar’.
“Sin embargo, seguimos avanzando sin límites ni restricciones. El resultado es la delegación progresiva de tareas intelectuales a las máquinas. Nicolelis citó el ejemplo de una investigación reciente del MIT que demostró que el 80 % de los jóvenes del grupo evaluado escribiendo ensayos con la ayuda de ChatGPT no recordaban lo que habían escrito y, peor aún, cuando se midió su actividad eléctrica cerebral, ‘tenían un 50 % menos de actividad cortical; es decir, no pensaban, estaban en piloto automático’.
(...)
“Ahora pensemos en las generaciones venideras: los ‘nativos digitales’, a quienes, desde antes de hablar, se les inculca la distracción con las pantallas de los teléfonos móviles. Su cerebro se acostumbra a desplazarse ininterrumpidamente por las pantallas, sin concentrarse en nada”.
“La ‘economía de la atención’ es, de hecho, la economía de la distracción: entrenar al cerebro para ver vídeos en secuencia, vídeos cada vez más cortos que ni siquiera llegan al final porque están interrumpidos por publicidad; el cerebro recibe estos golpes sistemáticos y se acostumbra a ellos, volviéndose incapaz de tener la paciencia para concentrarse en nada”.
“Si esto ya afecta a quienes se formaron en el mundo analógico, ¿qué podemos decir de quienes recién llegan?”
Sylvia Moretzsohn
Periodista, licenciada por la Universidad Federal de Río de Janeiro (1981), máster en Comunicación por la Universidad Federal Fluminense (2000) y doctora en Trabajo Social por la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ) (2006). Fue profesora de periodismo en el Departamento de Comunicación Social de la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFF) y se jubiló en el segundo semestre de 2016. Fue colaboradora habitual del Observatório da Imprensa, un sitio-web de crítica de medios (2012-2015). Es investigadora en ObjETHOS, el Observatorio de Ética Periodística, un proyecto del Departamento de Periodismo y el Programa de Posgrado en Periodismo de la UFSC, y en el Centro de Investigación en Periodismo (Nupejor - UFRGS/ CNPq). Ha realizado investigaciones sobre periodismo y cuestiones sociales, periodismo y criminología, el mundo del periodismo, la ética periodística y las transformaciones y dilemas del periodismo en el contexto de las nuevas tecnologías. Actualmente, en su investigación postdoctoral, que comenzó en noviembre de 2018 en la Universidad de Minho, se dedica a investigar la dinámica de la formación de creencias y convicciones en burbujas virtuales y las dificultades y posibilidades del periodismo en este contexto.
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