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Por: José Luiz Correa / Apresentação e tradução: Javier Villanueva
Café ¡literante!: o espaço onde arte e cultura encontram
tradução.
No início, o Curso ¡QuijoTe! quase se chamou Curso ¡AdelanTe! (mas isso é história para uma nova edição desta revista…), já sinalizando, na própria grafia e no jogo visual do nome, uma mesma lógica que mais tarde daria origem ao Café ¡LiteranTe!
O projeto nasceu on-line, com aulas remotas e síncronas, em
pleno contexto da pandemia da Covid-19, quando o mundo — e
o ensino — havia se deslocado para as telas. Foi nesse cenário
que uma das professoras convidadas para ministrar a disciplina
de tradução literária trouxe, a partir de suas próprias experiências artísticas e culturais, a proposta de acrescentar à grade do
curso um encontro mensal dedicado à conversa sobre literatura
e autoras e autores hispano-americanos.
A ideia era criar um espaço de encontro regular — ainda que remoto — no qual a tradução pudesse dialogar de maneira orgânica com a arte e a cultura, para além das salas de aula e dos formatos acadêmicos tradicionais. Esses encontros fariam parte integrante da disciplina de tradução literária e seriam destinados, inicialmente, aos alunos regulares da escola.
Cinco anos de encontros entre literatura, cinema, teatro e práticas de tradução
A proposta foi aceita de imediato. E foi assim que nasceu o Café ¡LiteranTe!, com o propósito de congregar pessoas interessadas em literatura, teatro, cinema, artes visuais e linguagem, oferecendo um espaço para ouvir, refletir e trocar ideias, opiniões e conhecimentos. Mesmo à distância, o Café buscava ser um ambiente acolhedor, aberto e plural — um lugar de encontro possível em tempos de isolamento, mas também um gesto de resistência cultural e formativa.
Inspirado na ideia do café como lugar de convivência intelectual — onde a palavra circula livremente e o saber se constrói no diálogo —, o Café ¡LiteranTe! consolidou-se como um ponto de encontro mensal que valoriza a escuta, a curiosidade e olhar crítico. Ao longo de suas 42 edições, o projeto mostrou que a tradução não é apenas um exercício técnico, mas uma prática cultural situada, atravessada por contextos históricos, estéticos e políticos.
Desde suas primeiras edições, o Café esteve intimamente ligado ao curso ¡QuijoTe! – Formação de Tradutores e Intérpretes, fun - cionando como uma extensão viva de seus princípios pedagógicos. Ambos nasceram praticamente juntos e hoje celebram cinco anos de trajetória, crescendo em paralelo e se retroalimentando. O Café tornou-se, assim, um espaço em que formação, cultura e prática profissional se encontram de forma natural.
A curadoria do Café ¡LiteranTe! esteve, desde o início, sob a responsabilidade da professora de tradução literária Lilian Contreira, cuja atuação tem sido decisiva para dar e reforçar identidade e coerência ao projeto. Cabe a ela a escolha cuidadosa dos temas, o convite às pessoas que vêm compartilhar suas experiências com o público, a articulação entre a comunidade ¡QuijoTe! e os convidados, e a condução dos encontros de modo a favorecer o diálogo intercultural. Sua presença e dedicação constantes ao longo desses cinco anos ajudaram a consolidar o Café como um espaço reconhecível, com personalidade própria.
Na primeira fase do projeto, a literatura ocupou lugar central. Autoras e autores latino-americanos e europeus — como Julio Cortázar, Isabel Allende, Eduardo Galeano, Clarice Lispector, Rosa Montero, entre tantos outros — foram discutidos a partir de diferentes perspectivas, sempre com atenção às questões de linguagem, estilo, tradução e contexto cultural. Esses encontros iniciais ajudaram a formar um público fiel, interessado não ape - nas nas obras, mas também nos desafios que elas colocam para tradutores e leitores em diferentes línguas.
Ao longo do tempo, o Café ¡LiteranTe! também abriu espaço para encontros dedicados ao teatro, explorando o texto dramá - tico, a oralidade, a encenação e as especificidades da tradução teatral. Essas edições ampliaram o debate sobre performance, voz e corpo, aproximando ainda mais o Café dos interesses de estudantes de interpretação e de profissionais das artes cênicas.
Com o amadurecimento do projeto, o Café ¡LiteranTe! ampliou seu escopo e passou a dedicar especial atenção ao cinema. Essa segunda fase marcou uma inflexão importante, ao incorporar o audiovisual como campo privilegiado para refletir sobre adaptação, tradução intersemiótica, legendagem, dublagem e circulação cultural de narrativas. O cinema mostrou-se um terreno fértil para discutir escolhas tradutórias, ideologia, representação e recepção.
Os encontros dedicados ao cinema trouxeram novos públicos e enriqueceram ainda mais o debate, ao colocar em diálogo filmes de diferentes países, épocas e tradições estéticas. A análise das obras partiu sempre da interseção entre linguagem cinematográfica e tradução, destacando como imagens, sons e palavras se transformam ao atravessar fronteiras culturais.
Outro momento recorrente e simbólico do Café ¡LiteranTe! são as edições dedicadas ao Dia Internacional do Tradutor, nas quais a própria profissão se torna tema central de reflexão. Nessas ocasiões, discutem-se ética, mercado, formação, invisibilidade e reconhecimento do tradutor e da tradutora, reforçando o caráter crítico e formativo do projeto.
Ao longo de suas edições, o Café ¡LiteranTe! contou com a generosidade e a disponibilidade de diversas pessoas convidadas — pesquisadoras, tradutores, artistas e profissionais da cultura — que aceitaram compartilhar suas experiências, pesquisas e trajetórias com o público. Esses encontros, mais do que palestras expositivas, sempre privilegiaram o formato de conversa, estimulando a participação ativa e a troca horizontal de ideias, o que fortaleceu o sentimento de comunidade em torno do Café.
Na sua fase mais recente, o Café ¡LiteranTe! passou a assumir também um papel estratégico na formação prática de alunos e alunas de interpretação, com encontros realizados em espanhol, português e inglês. O projeto transformou-se, assim, em um verdadeiro laboratório linguístico, oferecendo oportunidades reais de prática em contextos significativos.
Um passo fundamental nessa ampliação foi a incorporação da Língua Brasileira de Sinais (Libras), com a interpretação dos encontros do português, do espanhol e do inglês para Libras. Essa iniciativa permitiu que a comunidade surda passasse a integrar o público fiel do Café, ampliando de forma concreta o alcance social do projeto e reafirmando seu compromisso com acessibilidade, inclusão e diversidade linguística.
Essa abertura multilíngue e multimodal diversificou ainda mais o público do Café ¡LiteranTe!, reunindo participantes de diferentes países, formações e experiências, e reforçou sua vocação para a internacionalização e para o diálogo intercultural — valores centrais tanto do Café quanto do curso ¡QuijoTe!.
Ao comemorarmos o marco de cinco anos de funcionamento do Curso ¡QuijoTe!, o Café ¡LiteranTe! demonstra ser um projeto que cresceu sem perder a sua essência. Ao longo desse tempo, soube se reinventar, incorporar novas linguagens e responder às demandas formativas e culturais de seu público, mantendo sempre o compromisso com a qualidade do debate e com a valorização da tradução como prática cultural.
Celebrar esses cinco anos é, portanto, celebrar também um modo de pensar a formação de tradutores e intérpretes de maneira integrada, sensível e aberta ao mundo. O Café ¡LiteranTe! segue como um espaço de encontro, escuta e reflexão, onde línguas, culturas e artes continuam a se cruzar em torno da mesa virtual, que são as nossas telas, de café.
José Luiz Côrrea
Colaborador da nossa Revista
bilíngue Arte, Cultura e
Sociedade-Brasil, desde
o primeiro número- nos
oferece hoje este artigo
comemorativo dos 5 anos,
tanto do Curso ¡QuijoTe!
como do espaço Café
¡LiteranTe! Do primeiro,
o Curso ¡QuijoTe! tenho
a alegria de ser um dos
seus professores dedicado
à cultura, história e língua
hispano-americanas. Em
relação ao Café ¡LiteranTe!
me orgulho de ter sido o
primeiro convidado para
falar sobre La vuelta al día en
ochenta mundos de Julio
Cortázar.
Javier Villanueva
Café ¡literante!: el espacio donde el arte y la cultura se
encuentran con la traducción
Al principio, el curso ¡QuijoTe! estuvo a punto de llamarse ¡AdelanTe! (pero esa es otra historia para un nuevo número de esta revista Arte, Cultura e Sociedade-Brasil…), lo que ya presagiaba, en la ortografía y el juego visual del nombre, la misma lógica que más tarde daría origen a Café ¡LiteranTe!
El proyecto nació en línea, con clases remotas y síncronas, en plena pandemia de Covid-19, cuando el mundo —y la educación— se habían volcado a las pantallas. Fue en este contexto que una de las profesoras invitadas a impartir el curso de traducción literaria aportó, desde su propia experiencia artística y cultural, la propuesta de añadir al programa del curso una reunión mensual dedicada a la conversación sobre literatura y autores hispanoamericanos.
La idea era crear un espacio de encuentro regular —aunque virtual— donde la traducción pudiera interactuar orgánicamente con el arte y la cultura, más allá de las aulas y los formatos académicos tradicionales. Estas reuniones serían una parte integral del curso de traducción literaria y, en un principio, estarían destinadas a los estudiantes regulares de la escuela.
La propuesta fue aceptada de inmediato. Así nació Café ¡LiteranTe!, con el propósito de reunir a personas interesadas en la literatura, el teatro, el cine, las artes visuales y el lenguaje, ofreciendo un espacio para escuchar, reflexionar e intercambiar ideas, opiniones y conocimientos. Incluso a distancia, el Café buscaba ser un entorno acogedor, abierto y plural: un posible punto de encuentro en tiempos de aislamiento, pero también un gesto de resistencia cultural y formativa.
Inspirado en la idea del café como un lugar de convivencia intelectual —donde las palabras circulan libremente y el conocimiento se construye a través del diálogo—, Café ¡LiteranTe! se ha consolidado como un punto de encuentro mensual que valora la escucha, la curiosidad y la mirada crítica. A lo largo de sus 42 ediciones, el proyecto ha demostrado que la traducción no es solo un ejercicio técnico, sino una práctica cultural situada, atravesada por contextos históricos, estéticos y políticos.
Desde sus primeras ediciones, el Café ha estado estrechamente vinculado al curso ¡QuijoTe! – Formación para Traductores e Intérpretes, funcionando como una extensión viva de sus prin - cipios pedagógicos. Ambos proyectos nacieron prácticamente al mismo tiempo y hoy celebran cinco años de trayectoria, creciendo en paralelo y enriqueciéndose mutuamente. El Café se ha convertido así en un espacio donde la formación, la cultura y la práctica profesional confluyen de forma natural.
La curaduría del Café ¡LiteranTe! ha estado a cargo, desde sus inicios, de la profesora de traducción literaria Lilian Contreira, cuyo trabajo ha sido fundamental para dar y consolidar la identidad y la coherencia del proyecto. Es ella quien se encarga de seleccionar cuidadosamente los temas, invitar a los participantes a compartir sus experiencias con el público, articular la comunicación entre la comunidad de ¡QuijoTe! y los asistentes, y dirigir los encuentros para fomentar el diálogo intercultural. Su presencia constante y su dedicación durante estos cinco años han contribuido a consolidar el Café como un espacio reconocible con personalidad propia.
En la primera fase del proyecto, la literatura ocupó un lugar central. Autores latinoamericanos y europeos —como Julio Cortázar, Isabel Allende, Eduardo Galeano, Clarice Lispector y Rosa Montero, entre muchos otros— fueron analizados desde diferentes perspectivas, prestando siempre atención a cuestiones de lenguaje, estilo, traducción y contexto cultural. Estos encuentros iniciales contribuyeron a crear una audiencia fiel, interesada no solo en las obras, sino también en los retos que plantean para traductores y lectores de diferentes idiomas.
Con el tiempo, Café ¡LiteranTe! también abrió un espacio para encuentros dedicados al teatro, explorando el texto dramático, la oralidad, la puesta en escena y las particularidades de la traducción teatral. Estas ediciones ampliaron el debate sobre la interpretación, la voz y el cuerpo, acercando aún más el Café a los intereses de estudiantes de actuación y profesionales de las artes escénicas.
A medida que el proyecto maduraba, Café ¡LiteranTe! amplió su alcance y comenzó a dedicar especial atención al cine. Esta segunda fase marcó un punto de inflexión importante, al incorporar los medios audiovisuales como un campo privilegiado para reflexionar sobre la adaptación, la traducción intersemiótica, el subtitulado, el doblaje y la circulación cultural de las narrativas. El cine demostró ser un terreno fértil para debatir sobre las opciones de traducción, la ideología, la representación y la recepción.
Los encuentros dedicados al cine atrajeron a nuevos públicos y enriquecieron aún más el debate al propiciar el diálogo entre películas de diferentes países, épocas y tradiciones estéticas. El análisis de las obras siempre partió de la intersección entre el lenguaje cinematográfico y la traducción, destacando cómo las imágenes, los sonidos y las palabras se transforman al cruzar fronteras culturales.
Otro momento recurrente y simbólico de Café ¡LiteranTe! son las ediciones dedicadas al Día Internacional del Traductor, en las que la profesión misma se convierte en el eje central de la reflexión. En estas ocasiones, se abordan temas como la ética, el mercado, la formación, la invisibilidad y el reconocimiento de los traductores, reforzando el carácter crítico y formativo del proyecto.
A lo largo de sus ediciones, Café ¡LiteranTe! ha contado con la generosidad y disponibilidad de diversas personas invitadas —investigadores, traductores, artistas y profesionales de la cultura— que han accedido a compartir sus experiencias, investigaciones y trayectorias con el público. Estos encuentros, más que conferencias expositivas, siempre han priorizado el formato conversacional, fomentando la participación activa y el intercambio horizontal de ideas, lo que ha fortalecido el sentido de comunidad en torno al Café.
En su fase más reciente, Café ¡LiteranTe! también ha asumido un papel estratégico en la formación práctica de estudiantes de interpretación, con encuentros celebrados en español, portugués e inglés. De esta manera, el proyecto se ha transformado en un verdadero laboratorio lingüístico, ofreciendo oportunidades reales de práctica en contextos significativos.
Un paso fundamental en esta expansión fue la incorporación de la Lengua Brasileña de Señas (Libras), con la interpretación de las reuniones en portugués, español e inglés al idioma Libras. Esta iniciativa permitió que la comunidad sorda se integrara al público habitual del Café, ampliando concretamente el alcance social del proyecto y reafirmando su compromiso con la accesibilidad, la inclusión y la diversidad lingüística.
Esta apertura multilingüe y multimodal ha diversificado aún más la audiencia de Café ¡LiteranTe!, reuniendo a participantes de diferentes países, orígenes y experiencias, y reforzando su vocación por la internacionalización y el diálogo intercultural, valores centrales tanto del Café como del curso ¡QuijoTe!.
Al celebrar el quinto aniversario del curso ¡QuijoTe!, Café ¡LiteranTe! demuestra ser un proyecto que ha crecido sin perder su esencia. A lo largo de este tiempo, se ha reinventado, ha incorporado nuevos idiomas y ha respondido a las demandas educativas y culturales de su público, manteniendo siempre su compromiso con la calidad del debate y la valoración de la traducción como práctica cultural.
Celebrar estos cinco años es, por tanto, celebrar también una forma de concebir la formación de traductores e intérpretes de manera integral, sensible y abierta al mundo. Café ¡LiteranTe! continúa siendo un espacio de encuentro, escucha y reflexión, donde lenguas, culturas y artes siguen convergiendo en torno a la mesa virtual, que son nuestras pantallas, del café.
José Luiz Correa
Colaborador de nuestra
revista bilingüe Arte, Cultura
e Sociedade-Brasil desde
su primer número, nos
ofrece hoy este artículo
conmemorativo del quinto
aniversario del Curso
¡QuijoTe! y del Café
¡LiteranTe! En cuanto al
Curso ¡QuijoTe!, tengo
el placer de ser uno de
sus docentes, dedicado
a la cultura, la historia y la
lengua hispanoamericanas.
Respecto al Café ¡LiteranTe!,
me enorgullece haber sido
el primer invitado en hablar
sobre La vuelta al día en
ochenta mundos de Julio
Cortázar.
Javier Villanueva
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